China cresce apenas 4,3% no segundo trimestre e registra pior desempenho desde 2022

Desaceleração da demanda interna, crise imobiliária e menor investimento freiam a segunda maior economia do mundo, apesar do forte avanço das exportações e do setor de tecnologia

A economia da China desacelerou de forma acentuada e registrou crescimento de 4,3% no trimestre de abril a junho em comparação com o mesmo período do ano anterior, informou o governo nesta quarta-feira (15). Trata-se do resultado mais fraco em mais de três anos. As informações são da NPR.

Os números oficiais ficaram abaixo das previsões e bem distantes da expansão de 5% observada entre janeiro e março, apesar do aumento das exportações, impulsionado em parte pelo boom da inteligência artificial (IA) e pela forte demanda global por veículos elétricos chineses.

A China praticamente ignorou os efeitos econômicos mais amplos da guerra com o Irã, mesmo com a disparada dos preços da energia pressionando a inflação global. As exportações cresceram 17,6% no primeiro semestre em relação ao mesmo período do ano anterior e avançaram 27% apenas em junho, segundo dados alfandegários.

(Foto: WikiCommons)

No entanto, os gastos dos consumidores e os investimentos domésticos ficaram para trás, limitando o impacto positivo da indústria exportadora sobre uma economia que ainda enfrenta dificuldades para recuperar o ritmo após os confinamentos impostos durante a pandemia de Covid-19.

“Esse foi o crescimento mais lento desde o quarto trimestre de 2022, quando a atividade econômica foi afetada pelos lockdowns”, afirmou Lynn Song, economista-chefe para a Grande China do ING Bank.

Alguns economistas avaliam que a economia chinesa está se tornando cada vez mais desequilibrada, com forte apoio estatal e investimentos privados concentrados em tecnologias avançadas, como IA, semicondutores e robótica, enquanto setores de menor valor agregado e geradores de empregos, especialmente na área de serviços, seguem estagnados.

As exportações de produtos de alta tecnologia, incluindo veículos elétricos, chips e equipamentos eletrônicos, avançaram significativamente graças ao amplo apoio do governo, que tem priorizado o desenvolvimento tecnológico como eixo central da estratégia econômica do país.

A China registrou um superávit comercial recorde de US$ 1,2 trilhão em 2025, alimentando críticas de parceiros comerciais sobre os desequilíbrios nas relações econômicas com a segunda maior economia do planeta. Muitos governos atribuem parte desse cenário aos subsídios estatais, que, segundo eles, contribuem para um excesso de produção destinado aos mercados externos.

A produção industrial cresceu 5,4% no primeiro semestre em relação ao mesmo período do ano anterior.

Assim como ocorre em diversos países, o avanço da inteligência artificial e da automação também tem levantado preocupações sobre a capacidade de geração de empregos suficientes para sustentar o crescimento econômico no longo prazo.

As famílias chinesas reduziram as grandes compras, com a disposição para consumir limitada pela prolongada crise do setor imobiliário e pelas incertezas em relação ao mercado de trabalho e aos salários.

Como a China continua dependente das exportações para sustentar o crescimento econômico, “o modelo de crescimento do país tornou-se cada vez mais desequilibrado”, afirmou Eswar Prasad, professor de economia e política comercial da Universidade Cornell. Segundo ele, será difícil ampliar significativamente a demanda doméstica enquanto a confiança dos consumidores permanecer baixa.

Mao Shengyong, vice-diretor do Departamento Nacional de Estatísticas da China, afirmou que, diante de um cenário internacional cada vez mais instável e incerto, o desequilíbrio entre a forte oferta e a demanda enfraquecida “continua agudo” no país.

Segundo Mao, à medida que a China prioriza a manufatura de alta tecnologia e busca um crescimento econômico de maior qualidade, o governo pretende fortalecer o mercado interno e adotar medidas para manter o emprego estável.

Os indicadores econômicos reforçam os desafios enfrentados pela economia chinesa. O investimento em ativos fixos caiu 5,7% no primeiro semestre em relação ao ano anterior, enquanto as vendas no varejo avançaram apenas 1,3%. Os preços dos imóveis continuaram em queda.

“A economia chinesa passa por uma transição significativa”, afirmou Wei Li, chefe de investimentos multiativos da BNP Paribas Securities.

Para 2026, os líderes chineses estabeleceram uma meta de crescimento entre 4,5% e 5%, abaixo da meta de 5% fixada para o ano anterior. No primeiro semestre, a economia avançou 4,7%, segundo os dados divulgados nesta quarta-feira.

Recentemente, o Fundo Monetário Internacional (FMI) elevou sua projeção para o crescimento da China em 2026 em 0,2 ponto percentual, para 4,6%. Para 2027, no entanto, a instituição prevê uma expansão mais modesta, de 4,1%.

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