EUA buscam destino para mais de mil afegãos enquanto abrem portas para sul-africanos brancos

Marco Rubio afirmou ao Congresso que o governo busca países para receber mais de mil afegãos retidos no Catar, enquanto mantém política que favorece a entrada de africâneres nos Estados Unidos

Os Estados Unidos seguem negociando com outros países o reassentamento de mais de mil afegãos que auxiliaram as forças americanas durante a guerra no Afeganistão. A informação foi confirmada pelo secretário de Estado, Marco Rubio, durante audiência no Congresso realizada nesta terça-feira (2). As informações são da Associated Press.

Segundo Rubio, o governo americano busca alternativas para cerca de 1.100 afegãos e familiares de militares dos EUA que permanecem no Catar há mais de um ano. A declaração ocorre em meio a críticas de parlamentares e organizações humanitárias, que acusam Washington de abandonar antigos aliados após a retirada das tropas do Afeganistão.

Durante a audiência, o secretário reconheceu que a atual política migratória impõe restrições à entrada de afegãos nos Estados Unidos. Mesmo assim, afirmou que as autoridades trabalham diariamente para encontrar soluções e que diversos países já demonstraram interesse em receber parte dessas pessoas.

O secretário de Estado norte-americano Marco Rubio (Foto: state.gov/divulgação)

O tema ganhou ainda mais repercussão após reportagens indicarem que a República Democrática do Congo esteve entre os países avaliados para receber os refugiados. A possibilidade foi criticada por defensores dos direitos humanos, que alertam para os riscos de enviar afegãos a regiões marcadas por conflitos armados e instabilidade.

A deputada democrata Grace Meng questionou Rubio sobre a possibilidade de transferir refugiados para áreas consideradas perigosas. O secretário respondeu que não considera os países atualmente em negociação como zonas de conflito, mas admitiu que ainda existem desafios para encontrar nações dispostas a acolher um grande número de pessoas.

Críticas à política para refugiados afegãos

Organizações de apoio aos refugiados argumentam que os afegãos afetados passaram por rigorosos processos de verificação antes de receberem promessas de reassentamento nos Estados Unidos.

Shawn VanDiver, líder da coalizão #AfghanEvac, afirmou que muitos dos refugiados são familiares diretos de militares americanos e pessoas que colaboraram diretamente com operações das forças dos EUA.

Para os grupos de defesa, a demora nas decisões coloca essas famílias em situação de vulnerabilidade e aumenta o risco de perseguição caso sejam obrigadas a retornar ao Afeganistão, atualmente controlado pelo Talibã.

Rubio defende entrada de africâneres

Durante a mesma audiência, Rubio também defendeu a política do governo Donald Trump de ampliar a entrada de africâneres, sul-africanos brancos descendentes principalmente de colonizadores holandeses, por meio do programa de refugiados.

Segundo o secretário, as decisões migratórias precisam estar alinhadas ao interesse nacional dos Estados Unidos e considerar a capacidade de integração dos grupos à sociedade americana.

A justificativa foi contestada por parlamentares democratas, que destacaram o histórico de integração de refugiados afegãos já estabelecidos em cidades americanas, incluindo comunidades que trabalham, pagam impostos e participam da economia local.

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