O mundo vive o período mais violento das últimas décadas. Um estudo divulgado pelo Programa de Dados sobre Conflitos de Uppsala (UCDP, da sigla em inglês), da Universidade de Uppsala, na Suécia, aponta que 2025 registrou o maior número de conflitos interestatais desde o fim da Segunda Guerra Mundial e o maior número de mortes relacionadas a guerras e confrontos armados desde 1994. As informações são do NPR.
Segundo os pesquisadores, houve 65 conflitos ativos ao longo de 2025. Desses, oito envolveram confrontos diretos entre Estados, o maior número desde o início da série histórica da UCDP, em 1946. O levantamento destaca que a quantidade de conflitos interestatais dobrou em relação ao ano anterior.
Entre os principais confrontos registrados estão as guerras entre Rússia e Ucrânia e entre Irã e Israel, além dos embates entre Índia e Paquistão, Tailândia e Camboja. Também foram contabilizados os confrontos envolvendo Israel na Síria e no Iêmen, o conflito fronteiriço entre Afeganistão e Paquistão e as operações militares no Mar Vermelho e no Golfo de Áden envolvendo Estados Unidos, Reino Unido e os houthis do Iêmen.

Além do aumento no número de guerras, o estudo aponta uma escalada da violência global. Aproximadamente 244,6 mil pessoas morreram em conflitos armados em 2025, contra cerca de 187 mil em 2024. Trata-se do maior total anual registrado desde o genocídio de Ruanda, em 1994.
Os pesquisadores identificaram três principais categorias de violência. A primeira envolve conflitos entre governos e grupos armados, incluindo guerras civis e confrontos entre países. A segunda corresponde à violência entre grupos não estatais, como disputas entre facções armadas ou organizações criminosas. Já a terceira categoria engloba ataques direcionados contra civis.
Entre os 65 conflitos registrados no ano passado, 13 foram classificados como guerras, categoria reservada a confrontos que provocam mais de mil mortes em campo de batalha em um único ano.
A guerra entre Rússia e Ucrânia foi apontada como o conflito mais letal de 2025. Segundo o levantamento, ela respondeu por cerca de 62% de todas as mortes em combate registradas no período. Os pesquisadores estimam que aproximadamente 77,7 mil soldados russos e 14 mil ucranianos morreram em decorrência do conflito durante o ano.
Na sequência aparece a guerra entre Israel e Hamas, responsável por cerca de 14,4 mil mortes em 2025. Embora continue entre os conflitos mais mortais do planeta, o número representa uma redução em comparação ao ano anterior, influenciada por acordos de cessar-fogo.
O Sudão ocupou a terceira posição entre os conflitos mais letais. O estudo contabilizou cerca de 12,2 mil mortes relacionadas aos combates entre as forças governamentais e as Forças de Apoio Rápido (RSF). O país também concentrou alguns dos episódios mais graves de violência contra civis, incluindo massacres registrados após a tomada da cidade de El Fasher.
Para os pesquisadores, o crescimento dos conflitos está relacionado a transformações na ordem internacional observadas na última década. O relatório cita debates sobre mudanças no sistema global estabelecido após a Guerra Fria e aponta que o aumento das tensões entre Estados pode estar contribuindo para o cenário atual.
Apesar disso, os autores ressaltam que os dados não permitem estabelecer uma relação direta entre governos específicos e o crescimento dos conflitos. Segundo o estudo, a tendência de aumento das guerras interestatais já vinha sendo observada antes das mudanças recentes na política externa dos Estados Unidos.
As perspectivas para 2026 também preocupam. De acordo com os pesquisadores da UCDP, os dados preliminares indicam que o número elevado de conflitos e o aumento da violência armada continuam sendo uma tendência global, sem sinais claros de desaceleração.