Hamas aceita entregar armas pela primeira vez, mas faz exigência que pode travar o acordo

Grupo teria concordado, em princípio, com o desarmamento parcial, desde que o arsenal não seja entregue diretamente a Israel

O Hamas concordou, em princípio, em entregar parte de seu arsenal militar a uma entidade palestina a ser definida por consenso, mas rejeita a possibilidade de repassar as armas diretamente a Israel. A informação foi divulgada por fontes palestinas familiarizadas com as negociações realizadas no Cairo e ouvidas pelo jornal israelense Haaretz.

Segundo as fontes, o tema do desarmamento foi o principal assunto das conversas entre representantes do Hamas e autoridades da inteligência egípcia. As reuniões fazem parte dos esforços diplomáticos para avançar um plano internacional voltado ao futuro da Faixa de Gaza.

As negociações ainda não resultaram em um acordo definitivo. Permanecem indefinidos os mecanismos para a transferência das armas, quais armamentos serão incluídos e qual será a abrangência do processo.

Militantes do Hamas (Foto: WikiCommons)
Armas pesadas em debate

As discussões sobre o desarmamento do Hamas estão concentradas principalmente em armamentos considerados estratégicos. Entre eles estão foguetes de longo alcance, morteiros pesados, mísseis antitanque, armas avançadas e estruturas ligadas à fabricação e armazenamento de equipamentos militares.

De acordo com as fontes, o principal impasse gira em torno da definição exata dos sistemas de armas que deverão ser entregues.

O Hamas também busca evitar expressões amplas, como “infraestrutura de resistência”, alegando que esse tipo de classificação pode incluir instalações civis ou estruturas de uso misto. O grupo defende uma distinção clara entre instalações militares e serviços civis.

Futuro administrativo de Gaza

Além do debate sobre as armas, as negociações abordam o futuro da administração da Faixa de Gaza. O Hamas defende que milhares de funcionários públicos atualmente vinculados às instituições civis administradas pelo grupo sejam incorporados à futura estrutura governamental do território.

A proposta prevê a manutenção dos serviços públicos e a separação formal entre a administração civil e as atividades militares da organização.

Fontes ligadas às negociações afirmam ainda que o Hamas respondeu positivamente a pontos centrais de um plano internacional que prevê a criação de uma administração civil palestina temporária e o envio de uma força internacional de estabilização.

O governo transitório seria formado por tecnocratas e funcionaria sob supervisão internacional até a criação de instituições permanentes.

Reconstrução

O plano em discussão também inclui a ampliação da entrada de ajuda humanitária, projetos de reconstrução para Gaza e a preparação de acordos políticos e administrativos de longo prazo.

Segundo as fontes, uma das figuras mais envolvidas nas articulações é Mohammed Dahlan, ex-chefe de segurança de Gaza e rival político do presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas.

Dahlan participa das negociações mediadas pelo Egito e busca construir um consenso entre diferentes grupos palestinos para viabilizar uma futura administração do território.

Pressão internacional

As fontes destacam que os entendimentos alcançados até agora não incluem Israel nem a Autoridade Palestina e não representam qualquer compromisso formal do governo israelense.

Uma fonte ligada ao Hamas afirmou ao Haaretz que o avanço do plano dependerá da pressão exercida pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

Enquanto isso, veículos da imprensa árabe informam que o Hamas e outras facções palestinas demonstraram disposição para flexibilizar posições e buscar um acordo que possa encerrar a guerra na Faixa de Gaza.

Tags: