O líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, iniciou uma ampla reorganização da estrutura militar e de segurança do país ao formalizar, na segunda-feira (10), seis nomeações para postos estratégicos. A mudança ocorre meses depois de ataques israelenses e americanos que eliminaram parte importante da cúpula militar iraniana e deixaram posições de comando funcionando de forma provisória. As informações são da Radio Free Europe.
Mais do que preencher cargos vagos, a movimentação indica uma tentativa de Mojtaba Khamenei de transformar a estrutura improvisada durante a guerra em uma cadeia de comando permanente, formada por militares e integrantes do aparato de segurança de sua confiança.
Entre os principais nomes estão Ali Abdollahi, escolhido para comandar o Estado-Maior das Forças Armadas, e Ahmad Vahidi, confirmado como comandante do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC, na sigla em inglês), com a patente de major-general. Ali Ozmaei foi nomeado comandante da Marinha do IRGC.

Comando reconstruído
A reorganização ocorre depois de sucessivas perdas na liderança militar iraniana.
Mohammad Baqeri, chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, morreu durante a guerra de 12 dias, em junho de 2025. Seu sucessor, Abdolrahim Musavi, também morreu posteriormente, em um ataque que matou o então líder supremo Ali Khamenei.
No IRGC, Hossein Salami morreu durante a guerra de 12 dias. Mohammad Pakpour, que assumiu o comando depois dele, morreu no conflito iniciado no fim de fevereiro deste ano. Ahmad Vahidi passou então a exercer o comando do IRGC de forma interina, até sua confirmação oficial por Mojtaba Khamenei.
Durante meses, portanto, importantes setores da estrutura militar iraniana funcionaram com comandantes provisórios. As novas nomeações formalizam parte dessa estrutura e procuram restabelecer uma cadeia de comando centralizada.
Fusão militar
Uma das mudanças mais importantes envolve o Quartel-General Central Khatam al-Anbiya, responsável pela coordenação das operações militares.
O decreto que nomeou Abdollahi determina a conclusão do processo de integração entre o Khatam al-Anbiya e o Estado-Maior das Forças Armadas. A ausência de um novo comandante para o quartel-general indica que a estrutura pode estar sendo incorporada ao Estado-Maior, em vez de continuar funcionando como uma cadeia paralela.
A medida pode concentrar em um único comando uma parcela importante da coordenação militar iraniana, reduzindo a estrutura semiparalela criada durante os períodos de guerra.
Taeb retorna
A reorganização também tem uma dimensão de segurança interna.
Hossein Taeb, ex-chefe da Organização de Inteligência do IRGC, foi nomeado comandante da força paramilitar Basij. A escolha representa seu retorno a uma posição de grande importância dentro do aparato de segurança iraniano.
Taeb comandou a Organização de Inteligência da Guarda Revolucionária até ser afastado em 2022. Agora, retorna ao centro do sistema de segurança justamente quando o novo líder supremo procura consolidar seu poder.
A Basij possui papel importante na mobilização política e no controle interno do país. A nomeação de Taeb, portanto, não está diretamente relacionada apenas à reconstrução das forças armadas após as perdas provocadas pela guerra.
Rezaei ganha força
Outro movimento considerado estratégico foi a nomeação de Mohsen Rezaei para secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã.
Veterano da Guarda Revolucionária, Rezaei comandou o IRGC durante 16 anos e possui longa experiência tanto militar quanto política. Ele também atuou como conselheiro militar de Mojtaba Khamenei. A escolha reforça a presença de figuras ligadas à Guarda Revolucionária nos principais centros de decisão do país.
Analistas avaliam que Rezaei pode ajudar Mojtaba Khamenei a fortalecer a coesão interna do aparato de segurança e a controlar uma estrutura militar que ganhou ainda mais importância depois das perdas sofridas na guerra.
Linha-dura
As nomeações também enviam um sinal sobre a orientação política do novo governo iraniano.
A escolha de militares e integrantes do aparato de segurança com histórico ligado à Guarda Revolucionária não indica uma abertura significativa nas relações com os Estados Unidos. Análises publicadas após as nomeações apontam que a reorganização tende a fortalecer a linha de resistência à pressão americana.
Ao mesmo tempo, a concentração de antigos integrantes do aparato militar em posições estratégicas reforça o peso da Guarda Revolucionária na estrutura política iraniana.
Novo poder
A reorganização de Mojtaba Khamenei ocorre poucos meses depois de sua chegada ao cargo máximo do Irã e revela uma prioridade: reconstruir rapidamente a estrutura de comando destruída pela guerra e, ao mesmo tempo, colocar homens de confiança em posições estratégicas.
As mudanças não representam apenas uma substituição de comandantes mortos ou afastados. Elas podem redefinir a forma como o poder militar e de segurança será organizado no Irã durante o governo de Mojtaba Khamenei.