Chanceler alemão acusa extrema direita de querer expulsar imigrantes do país

Friedrich Merz diz que proposta da AfD para retirar imigrantes e descendentes do país ameaçaria setores inteiros da economia

O chanceler alemão Friedrich Merz classificou como “limpeza étnica” os planos de “remigração” defendidos por setores da extrema direita alemã. A declaração foi feita no Bundestag, poucos dias depois do partido Alternativa para a Alemanha (AfD) obter uma vitória expressiva nas eleições da Saxônia-Anhalt, no leste do país. As informações são do POLITICO.

Segundo Merz, uma política de expulsão em massa teria impacto direto sobre a economia alemã. O chanceler afirmou que um em cada seis trabalhadores qualificados possui passaporte estrangeiro e alertou que setores como saúde, restaurantes e serviços especializados sofreriam com a saída desses profissionais.

O termo “remigração” é usado pela extrema direita europeia para defender medidas que vão desde a deportação de imigrantes em situação irregular até propostas de retirada de imigrantes e seus descendentes. A AfD incluiu o tema em seu programa eleitoral para a Saxônia-Anhalt.

Friedrich Merz (Foto: WikiCommons)

O avanço da AfD ocorre em paralelo a uma mudança mais ampla no discurso da direita alemã sobre imigração e identidade nacional. Em reportagem publicada por A Referência, o dirigente da AfD Hans-Thomas Tillschneider defendeu alterações na forma como o país aborda o nazismo e a chamada “cultura da memória”, incluindo mudanças no ensino de história.

A relação da AfD com temas ligados ao passado nazista já provocou conflitos dentro da própria extrema direita europeia. Em 2024, o partido alemão foi expulso do grupo Identidade e Democracia no Parlamento Europeu após declarações do então principal candidato da legenda, Maximilian Krah, sobre integrantes da SS.

A imigração também se tornou um dos principais pontos de disputa política na Alemanha. Antes da chegada de Merz ao cargo de chanceler, A Referência mostrou que seu partido já defendia o endurecimento das regras migratórias e que a ascensão da AfD pressionava os conservadores a adotar uma postura mais rígida.

O crescimento da AfD ainda ocorre em um ambiente de forte disputa informacional. Em 2025, uma investigação apontou uma campanha de desinformação ligada à Rússia que promovia o partido e atacava adversários políticos na Alemanha.

Merz também acusou a AfD de adotar posições favoráveis à Rússia e afirmou que o partido contribui para os esforços de desinformação do Kremlin. A líder da AfD, Alice Weidel, rebateu o chanceler e afirmou que o governo conservador perdeu o apoio dos eleitores.

O conflito entre Merz e a AfD revela uma disputa cada vez mais central na política alemã: enquanto o governo tenta conter o avanço da extrema direita, a AfD procura transformar imigração, identidade nacional e relação com o passado alemão em pilares de uma plataforma para chegar ao poder federal.

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