Vinte e cinco anos após os ataques de 11 de setembro, o Afeganistão voltou a concentrar organizações extremistas e levanta dúvidas sobre o risco de o país recuperar o papel de plataforma para o terrorismo internacional. As informações são da Radio Free Europe.
O Taleban retomou o poder em 2021, após a retirada das tropas lideradas pelos Estados Unidos, e desde então diferentes relatórios das Nações Unidas apontaram a presença de integrantes da Al-Qaeda em território afegão. Um relatório de dezembro de 2025 classificou o país como uma “pátria simbólica” da organização e mencionou relações pessoais e casamentos entre integrantes da Al-Qaeda e dos talibãs.
A situação, porém, é diferente daquela existente antes de 2001. Até agora, não foram registrados grandes ataques contra capitais ocidentais planejados a partir do Afeganistão. Especialistas ouvidos pela RFE/RL divergem sobre o significado dessa ausência.

Para a ex-diplomata americana Annie Pforzheimer, o país voltou à condição existente antes dos atentados. Já o general H.R. McMaster, ex-conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, considera uma “ilusão” esperar que o Taleban cumpra os compromissos assumidos no acordo de 2020 com Washington.
A Al-Qaeda não é o único grupo extremista presente no país. O Estado Islâmico-Khorasan (EI-K) continua atuando no Afeganistão e é considerado um dos principais desafios de segurança para o governo insurgente. O Tehrik-e Taliban Pakistan (TTP), popularmente conhecido como Taleban do Paquistão, grupo que atua contra o governo paquistanês, também mantém relações com a estrutura extremista existente na região.
A Referência já mostrou como a presença da Al-Qaeda se ampliou no Afeganistão após o retorno dos radicais ao poder. Relatórios da ONU indicaram a existência de novos campos de treinamento e a continuidade da atuação do grupo em território afegão.
Outro ponto de atenção é a capacidade dos Estados Unidos de monitorar o país. Segundo especialistas citados pela RFE/RL, Washington dispõe hoje de menos informações sobre o que acontece no interior do Afeganistão do que durante a presença militar americana.
Os EUA não realizaram novos ataques no país desde a operação que matou Ayman al-Zawahiri, então líder da Al-Qaeda, em Cabul, em 2022. A operação mostrou que Washington ainda consegue atingir alvos de alto valor, mas também expôs a presença da liderança da organização em território controlado pelos talibãs.
O cenário também envolve uma disputa entre diferentes grupos extremistas. O EI-K é rival do Taleban e realizou ataques dentro do Afeganistão, enquanto a Al-Qaeda mantém uma relação mais próxima com o grupo que governa o país. A Referência já publicou um perfil sobre o EI-K e seu papel na segurança afegã após a retirada das tropas ocidentais.
Em janeiro de 2026, o Paquistão acusou o Afeganistão de estar se transformando em um “centro” para organizações extremistas e afirmou que grupos como Al-Qaeda, EI e TTP operavam a partir do território afegão. O governo talibã rejeita acusações de que permita que o país seja utilizado para ataques contra outros Estados.
A diferença em relação ao período anterior ao 11 de setembro é que o Taleban agora busca reconhecimento internacional e relações diplomáticas. A Rússia reconheceu o governo talibã como legítimo, enquanto representantes do grupo também mantêm contatos com países e organizações estrangeiras.
Para alguns especialistas, essa mudança pode funcionar como um incentivo para que os extremistas controlem grupos capazes de provocar uma reação internacional contra o governo. Para outros, a permanência da Al-Qaeda e de outras organizações extremistas demonstra que o país continua oferecendo condições para a reorganização de redes jihadistas.