África

África deve aproveitar boom de capital humano jovem, diz especialista da ONU

Conselho é de Cristina Duarte, assessora de Guterres, da ONU, e ex-ministra das Finanças de sua Cabo Verde natal

A cada dez africanos, seis são jovens. Com um bilhão de pessoas no continente, é capital humano de sobra para impulsionar o desenvolvimento, afirma Cristina Duarte, conselheira para a África de António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas.

Para a representante, de origem cabo-verdiana, os jovens são “um grande ativo” do continente para os próximos anos. Duarte falou com o portal de notícias da ONU (Organização das Nações Unidas).

África deve aproveitar boom de capital humano jovem, diz especialista da ONU
A então ministra das Finanças de Cabo Verde, Cristina Duarte, à dir. com seu contraparte das Ilhas Seychelles, em reunião na Etiópia em 2015 (Foto: Amanda Bernstein/Seychelles News Agency)

“O que é que nos tem faltado, do ponto de vista das políticas públicas, para tirar todo o partido deste grande ativo que é a juventude africana, particularmente as mulheres africanas jovens?”, questiona.

Para Duarte, será fundamental investir em novas tecnologias para todos, a começar pela geração de energia solar. Seria uma forma de usar o clima quente e ensolarado da região como motor do desenvolvimento.

“Não pode ser em uma base ad-hoc [do latim, para um fim específico], com uma solução para uma pequena comunidade e fazermos barulho com uma televisão, não”, afirma.

Será preciso garantir chegada de novas tecnologias à base da pirâmide social, de forma a impulsionar o uso desse capital humano disponível no continente.

África deve aproveitar boom de capital humano jovem, diz especialista da ONU
Jovens participam de curso técnico de panificação em Bor, no Sudão do Sul, em julho de 2018 (Foto: UN Photo/Nektarios Markogiannis)

Para o futuro próximo, Duarte recomenda um debate “com justiça e equilíbrio de poderes” em temas como a propriedade intelectual. Essas questões, afirma, são primordiais na agenda global se a meta for resolver de forma perene os problemas da região.

Com poucas patentes e recursos limitados para o pagamento de royalties, o continente africano atrasa seu desenvolvimento. Para Duarte, o segundo passo é diminuir o fluxo ilegal de capitais, por sonegação ou por corrupção.

A especialista, que foi ministra das Finanças de seu país, lembrou a necessidade do binômio entre políticas públicas eficiente e boa gestão financeira para garantir saltos em qualidade de vida para a população.