África

Explosão de carro-bomba mata ao menos oito pessoas na capital da Somália

Al-Shabaab, grupo extremista ligado à Al-Qaeda, assumiu a autoria do ataque, que tinha como alvo um comboio que seguia rumo ao palácio presidencial

Um carro-bomba explodiu em um posto de controle de segurança próximo ao palácio presidencial de Mogadíscio, capital da Somália, e matou ao menos oito pessoas no último sábado (25). A autoria do ataque foi assumida pelo Al-Shabaab, grupo extremista ligado à Al-Qaeda, conforme informou a agência catari Al Jazeera.

“O Al-Shabaab está por trás da explosão. Eles mataram oito pessoas, incluindo um soldado, uma mãe e dois filhos. O Al-Shabaab massacra civis”, disse o porta-voz da polícia Abdifatah Aden Hassan

Ainda de acordo com Hassan, o número de vítimas pode ser maior, entre mortos e feridos. Ele explica que parentes de algumas pessoas atingidas pela explosão não esperaram a ação das autoridades e levaram as vítimas embora.

Explosão de carro-bomba mata ao menos oito pessoas na capital da Somália
Soldados do exército da Somália em ação contra o Al-Shabaab, em agosto de 2012 (Foto: AMISOM/Flickr)

Os extremistas confirmaram a autoria do ataque através de um breve comunicado. “Os mujahideen (guerrilheiros islâmicos) realizaram uma operação de martírio visando ao principal posto de controle de segurança do palácio presidencial”, diz o texto.

Segundo uma testemunha, o carro-bomba chegou a parar no posto de controle de segurança antes de explodir. “Eles normalmente param para verificar e liberar os veículos antes que eles possam passar pelo posto de controle. Este carro foi parado pelos seguranças e disparou enquanto vários outros carros e pessoas passavam na estrada próxima. Eu vi feridos e mortos sendo carregados”, disse Mohamed Hassan.

Em sua página no Facebook, Mohamed Ibrahim Moalimuu, porta-voz do governo, afirmou que uma das vítimas fatais da explosão é Hibaq Abukar, conselheira para assuntos de direitos humanos e da mulher no gabinete do primeiro-ministro Mohamed Hussein Roble.

“Que Alá tenha piedade de Hibaaq Abukar, que fez parte do escritório do primeiro-ministro e foi uma das pessoas que morreram esta manhã num ataque brutal de terroristas numa zona de controlo na junção de Ceel Gaab. Que Alá tenha piedade de todos os inocentes que morreram naquela explosão covarde. Hibaaq era uma garota ativa que era um dos pilares do escritório, especialmente a secção de assuntos femininos. Que Alá dê conforto à família. Que Alá tenha piedade dela e de todos os outros que morreram injustamente”, diz o texto.

Por que isso importa?

O Al-Shabbab chegou a controlar a capital Mogadíscio até 2011, quando foi expulso de lá pelas forças da União Africana. Atualmente, controla territórios nas áreas rurais da Somália e luta para derrubar o governo nacional.

O grupo concentra seus ataques no sul e no centro do país. As atividades envolvem ataques a órgãos e oficiais do governo e a entidades de ajuda humanitária, além de extorsão contra a população local e proteção de terroristas internacionais que se escondem no país.

Dados apontam que os extremistas estiveram em 440 episódios violentos no país entre julho e setembro do ano passado – o maior número desde 2018.

O confronto, porém, atualmente pende para o lado do exército. O objetivo dos militares é reconquistar territórios vitais para a economia do país, numa ofensiva que já dura cinco meses e é comandada pelo general Odowaa Yusuf Rageh. Em determinadas missões, ele faz questão de liderar pessoalmente os militares. 

No Brasil

Casos mostram que o país é um “porto seguro” para extremistas. Em dezembro de 2013, um levantamento do site The Brazil Business indicava a presença de ao menos sete organizações terroristas no Brasil: Al Qaeda, Jihad Media Battalion, Hezbollah, Hamas, Jihad Islâmica, Al-Gama’a Al-Islamiyya e Grupo Combatente Islâmico Marroquino.

Em 2001, uma investigação da revista VEJA mostrou que 20 membros terroristas de Al-Qaeda, Hamas e Hezbollah viviam no país, disseminando propaganda terrorista, coletando dinheiro, recrutando novos membros e planejando atos violentos.

Em 2016, duas semanas antes do início dos Jogos Olímpicos no Rio, a PF prendeu um grupo jihadista islâmico que planejava atentados semelhantes aos dos Jogos de Munique em 1972. Dez suspeitos de serem aliados ao Estado Islâmico foram presos e dois fugiram. Saiba mais.