África

Governo do Sudão do Sul negocia com órgãos policiais o fim de confrontos

Sem comida ou salário, soldados armam emboscadas e são principais promotores de violência contra civis no país

O governo do Sudão do Sul está negociando com os órgãos policiais pelo fim dos confrontos armados entre militares e civis, reportou a emissora sudanesa Radio Tamazuj.

Em uma reunião na terça (5), na capital Juba, o presidente Salva Kiir apelou aos policiais que parem de se envolver em emboscadas e conflitos intercomunitários.

“Pedimos que os órgãos de segurança retirem o gado de Juba e dos arredores”, disse o assessor de assuntos de segurança nacional, Tut Gatluak Manime. O uso dos animais é usado para construir “represas” em que facilitam emboscadas criminosas contra civis.

Governo do Sudão do Sul negocia fim de confrontos violentos com órgãos policiais
Crianças refugiadas após conflitos intercomunitários carregam água no campo de Minkaman, no Sudão do Sul, em janeiro de 2014 (Foto: Oxfam East Africa/Geoff Pugh)

“Todos foram orientados a garantir que nossas estradas sejam seguras. As tropas nas estradas devem garantir a proteção da população”, pontuou Manime.

Membros da comitiva afirmaram que Kiir deverá emitir uma ordem executiva com medidas legais contra todos que alimentarem os conflitos interétnicos no país.

Ainda que a violência tenha reduzido desde setembro de 2018, quando o Sudão do Sul assumiu um acordo de paz, os conflitos são recorrentes. Desde então, o processo de pacificação e unificação nacional está travado.

Além das “represas”, o gado se tornou foco de disputas que geralmente terminam com mortos e feridos. O abuso de poder de soldados é recorrente, relatou um arcebispo da região de Equador Central.

“Precisamos de treinamento para nossos soldados. Eles não têm dinheiro e nem comida. Estão com fome e acabam abusando do pouco poder que lhes resta para atacar a população”, descreveu.