Processo de unificação nacional do Sudão do Sul está travado, diz ONU

Sem progresso no acordo para a unificação nacional, soldados deixam campos de treinamento por falta de alimentos
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Mesmo depois do compromisso selado por forças oponentes em nome da unificação nacional do Sudão do Sul, em fevereiro, não há qualquer progresso para a paz no país africano de 11 milhões de habitantes.

O representante especial da Missão da ONU (Organização das Nações Unidas) no país, David Shearer, apontou esse panorama em uma entrevista coletiva na capital do país, Juba, nesta terça (29). Segundo Shearer, o processo de paz está “travado”.

“Nem mesmo passou do primeiro estágio de treinamento e graduação das forças”, disse.

Processo de unificação nacional do Sudão do Sul está travado, diz ONU
Soldado adolescente do exército do governo do Sudão do Sul na cidade de Pibor, no leste do país, em maio de 2018 (Foto: UNMISS)

Desde 2014, a guerra civil do Sudão do Sul divide o país entre o governo e soldados rebeldes.

No acordo de paz, as duas partes se propuseram a contribuir para a unificação das forças armadas. Agora, muitos soldados têm desertado dos campos de treinamento, onde não há sequer comida suficiente.

“Há uma falta muito grande de alimentos e itens essenciais nos campos de treinamento. Por isso, muitos soldados estão retornando para suas comunidades originais”, afirmou Shearer.

O movimento pode causar ainda mais instabilidade no país marcado por conflitos desde a sua independência do Sudão, em 2011. “Essa desilusão leva à frustração, raiva, violência”, pontuou o enviado da ONU.

Shearer exortou o governo do Sudão do Sul a tomar ações urgentes para levar o processo de paz adiante.

Sob denúncias de corrupção, o governo liderado pela elite política do Sudão do Sul ainda tenta interferir na missão de paz das tropas da ONU, disse Shearer.

Segundo o representante das Nações Unidas, grupos armados sul-sudaneses tentam desmobilizar a ajuda humanitária em pontos críticos do país.

“Temos esperança neste acordo, mas ele só será bom se for assumido e se mantiver de pé”, concluiu.

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