Na Somália, Al-Shabaab defende rejeição à vacina contra a Covid-19

Líderes do grupo ligado à Al-Qaeda afirmam que doses fazem "mais mal do que bem" e sugerem "remédios do Alcorão"
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Líderes do grupo fundamentalista islâmico Al-Shabaab pediram que os muçulmanos da Somália rejeitem a imunização das vacinas contra a Covid-19. Em comunicado desta terça (30), o grupo afiliado à Al-Qaeda defende que as doses “fazem mais mal do que bem”.

O comunicado faz referência ao primeiro lote da AstraZeneca-Oxford, enviado via iniciativa Covax. O país africano recebeu sua primeira remessa de 300 mil doses no dia 15. Ao todo, a Somália deve receber 1,2 milhão de vacinas por meio da OMS (Organização Mundial da Saúde).

Na Somália, Al-Shabaab pede que muçulmanos rejeitem vacinas à Covid-19
Remessa com 300 mil doses da vacina à Covid-19 AstraZeneca chega à Somália iniciativa Covax em 15 de março de 2021 (Foto: UN Somalia/John Arigi)

O Al-Shabaab, porém, insiste que a população não faça uso dos medicamentos. O grupo alega que as vacinas já causaram “diversos efeitos adversos” ao redor do mundo. A nota cita o exemplo da suspensão da vacinação após suspeitas de embolia pulmonar na França, na Alemanha e na Espanha.

O texto cita ainda que as doses da AstraZeneca são produzidas com componentes suínos – de consumo proibido aos islâmicos. Em vez disso, os muçulmanos somalis deverão confiar nos “medicamentos prescritos no Alcorão e na Sunah”, as principais fontes das leis islâmicas. Um dos “remédios” citados é o mel.

Na Somália, 99% da população de 15,5 milhões é muçulmana. O Al-Shabaab obteve seus maiores avanços a partir de 2012, quando se aliou à Al-Qaeda. A organização é o braço violento do salafismo, vertente conservadora do Islã, no Chifre da África.

Alerta contra agências humanitárias

No documento, o Al-Shabaab também pede que os muçulmanos “não acreditem” nas organizações que transportam as vacinas, como a OMS e a Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância).

“Por mais de três décadas, essas instituições exacerbam a seca, doenças e pobreza na Somália e em outros países muçulmanos. Os somalis não devem esperar nenhum sentimento de altruísmo desses descrentes e suas organizações”, diz o texto.

Essa oposição às agências internacionais dificulta o acesso de ajuda humanitária à Somália, um dos países mais afetados pela violência jihadista. O Al-Shabaab controla áreas no sul do país, onde é comum que soldados de paz da União Africana morram em emboscadas e bombardeios.

Dados apontam que os extremistas estiveram em 440 episódios violentos no país entre julho e setembro – o maior número desde 2018.

No Brasil

Casos mostram que o país é um “porto seguro” para extremistas. Em dezembro de 2013, um levantamento do site The Brazil Business indicava a presença de ao menos sete organizações terroristas no Brasil: Al Qaeda, Jihad Media Battalion, Hezbollah, Hamas, Jihad Islâmica, Al-Gama’a Al-Islamiyya e Grupo Combatente Islâmico Marroquino. Em 2001, uma investigação da revista VEJA mostrou que 20 membros terroristas de Al-Qaeda, Hamas e Hezbollah viviam no país, disseminando propaganda terrorista, coletando dinheiro, recrutando novos membros e planejando atos violentos. Em 2016, duas semanas antes do início dos Jogos Olímpicos no Rio, a PF prendeu um grupo jihadista islâmico que planejava atentados semelhantes aos dos Jogos de Munique em 1972. Dez suspeitos de serem aliados ao Estado Islâmico foram presos e dois fugiram. Saiba mais.

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