Ásia e Pacífico

Uso de componentes suínos gera rejeição à vacina de Covid na Indonésia

Maior país muçulmano do mundo já viveu surto de sarampo após parte da população recusar imunização não-halal

O possível uso de ingredientes derivados de suínos pode prejudicar a imunização à Covid-19 na Indonésia, disse a Al-Jazeera. Algumas vacinas usam gelatina, derivada da carne de porco, como estabilizante.

A preocupação com a proibição do consumo vem, principalmente, dos muçulmanos – 87% dos 273 milhões de indonésios. A recusa por vacinas com componentes suínos já desencadeou um surto de sarampo no país.

Em 2018, acusações forçaram a proibição da campanha de vacinação. No ano seguinte, a Indonésia se tornou o terceiro país com maior taxa da doença no mundo.

Possível uso suíno em vacina à Covid-19 põe imunização na Indonésia em risco
Agente de saúde da Indonésia prepara vacina polivalente no centro comunitário de saúde de Yogyakarta em julho de 2020 (Foto: Unicef/Fauzan Ijazah)

Em agosto, 27% da população afirmou que não tomaria a dose contra a Covid-19. As crenças religiosas e medo de efeitos colaterais eram as principais razões.

O MUI, órgão clerical muçulmano responsável pelas decisões sobre a cerificação halal – método que atesta processos em concordância ao Islamismo – já afirmou que aprovará as vacinas na Indonésia mesmo com derivados de suínos.

“É por um bem maior”, diz uma nota enviada à Al-Jazeera. A não adesão do público, no entanto, tende a acentuar a já alta propagação do vírus no país. Até o fim da tarde desta quarta-feira (6), a Indonésia somava 23,2 mil mortes pelo vírus e mais de 788 mil infecções confirmadas.

Indonésia já recebeu 3 milhões de doses

Até o momento, a Indonésia já recebeu três milhões de doses da farmacêutica chinesa Sinovac Biotech – CoronaVac. Um carregamento da AstraZeneca e Pfizer deve chegar ao país nas próximas semanas.

Ao todo, Jacarta solicitou 100 milhões de doses da AstraZeneca, 50 milhões da Novavax, 50 milhões da Pfizer e 53 milhões da Covax – iniciativa em parceria com a OMS (Organização Mundial da Saúde).

O país anunciou nesta terça (5) que começará a imunização a partir do dia 13 com as doses da CoronaVac. Apesar da AstraZeneca, Novavax e Pfizer afirmarem que não utilizam produtos suínos em suas vacinas, a Sinovac foi a única a não revelar a composição das doses.

Um artigo da revista científica “The Lancet” pediu ao governo indonésio a trabalhar com acadêmicos religiosos na divulgação sobre os benefícios da imunização. “A saúde e a sobrevivência da população da Indonésia dependem disso”.