África

ONU alerta para o aumento da ameaça do Estado Islâmico no continente africano

Secretário-geral do órgão alerta para o crescimento do grupo jihadista em meio aos problemas causados pela Covid-19

O Estado Islâmico (EI) tem aproveitado a pandemia de Covid-19 para crescer de forma “alarmante” na África. O alerta foi feito pelo secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas) António Guterres, em relatório enviado ao Conselho de Segurança na semana passada.

O documento destaca que diversos fatores ligados à pandemia facilitam a tarefa dos jihadistas de recrutar novos simpatizantes, o que ocorre sobretudo através da internet. “O EI e outros grupos terroristas se aproveitaram da interrupções de serviços, da tristeza das pessoas e de outros contratempos causados por uma crise global sem precedentes”.

Membros do grupo jihadista Estado islâmico no Grande Saara (Foto: Divulgação)

Por um lado, a pandemia reduziu o número de ataques terroristas em áreas sem conflito, devido as fatores como a redução do número de pessoas em áreas públicas. Em zonas de conflito, ao contrário, os jihadistas ganham força, e isso pode causar um impacto na segurança global conforme as medidas de restrição à circulação são afrouxadas.

“À medida que as restrições relacionadas à pandemia diminuem gradualmente, há uma elevada ameaça de curto prazo de ataques inspirados no EI fora das zonas de conflito por atores solitários ou pequenos grupos que foram radicalizados, incitados, possivelmente online”, disse ele.

Outra razão que contribui para o fortalecimento do EI é a ação de grupos afiliados regionais, algo bastante comum no continente africano. “A expansão do EI em muitas regiões da África desde o início de 2021 é alarmante”, diz o relatório, que cita ainda o Afeganistão e o Sul da Ásia.

Na visão dos Estados-Membros, o grupo extremista “continuará a priorizar o reagrupamento e a tentativa de ressurgir” em seus dois principais domínios. O grupo continua ativo em amplas áreas da Síria, a fim de recuperar sua capacidade de combate. No Iraque, o EI permanece sob constante pressão, mas realiza operações esporádicas a fim de “minar projetos de infraestrutura crítica e inflamar regiões de divisão sectária ou insatisfação popular”.