África

Oposicionista reclama vitória na Guiné, mas comissão eleitoral não confirma

Resultados devem ser divulgados até o final da semana, disse órgão eleitoral; violência se espalhou pelo país

O principal candidato da oposição da Guiné, Cellou Dalein Diallo, voltou a afirmar nesta terça (20) que foi o vencedor das eleições presidenciais contra o atual chefe de Estado, Alpha Condé, no pleito realizado no domingo (18).

“Sou vitorioso nesta eleição no primeiro turno”, disse. “Convido a todos os meus concidadãos a permanecerem vigilantes e comprometidos em defender esta vitória democrática”. Diallo teria se baseado em uma estimativa de seu partido, registrou o portal Voice Of America Africa.

O anúncio, no entanto, não possui qualquer validação do Comitê Independente Eleitoral e já foi considerado “nulo”. O resultado das eleições deve ser divulgado até sexta-feira (23), afirmou o órgão à Al-Jazeera.

Candidato Diallo diz que venceu eleições de Guiné, mas órgão eleitoral não confirma
O candidato opositor a Alpha Condé, Cellou Dalein Diallo, em congresso da organização Friends of Europe em junho de 2011 (Foto: CreativeCommons/Friends of Europe)

O pleito, que ocorreu no último domingo (18) foi calmo, mas opositores de Condé já afirmaram que não aceitarão se o atual presidente se mantiver no poder. Diallo ameaçou protestos violentos caso os resultados sejam favoráveis ao atual presidente.

“Tenho grandes preocupações com a paz se Alpha Condé tentar manter o poder através da violência, porque os meus apoiantes e as pessoas que votaram pela mudança não o aceitariam”, disse.

No Twitter, Diallo denunciou na tarde desta terça (20) que está preso em casa pelas forças policiais de Guiné. “Incapaz de enfrentar a verdade das urnas, o regime antidemocrático de Alpha Condé tenta se impôr pela força”, escreveu.

Prenúncio de violência

A violência foi protagonista ao longo do processo eleitoral da Guiné. O país da África Ocidental, de pouco mais de 12 milhões de habitantes, vive uma profunda divisão política desde que Condé manobrou a legislação para garantir uma candidatura ao terceiro mandato.

Diallo era o favorito entre 11 candidatos para derrotar Condé nas urnas. Os dois já se enfrentaram em dois pleitos em 2010 e 2015, também sob conflitos.

A votação da Guiné marca o início do que promete ser um agitado ciclo eleitoral em toda a África Ocidental. Os próximos países a escolherem seus líderes são a Costa do Marfim, Burkina Faso, Gana e Níger.