Soldado é morto em cidade que recebe seleções de futebol em Camarões

Grupo separatista armado atacou os militares a fim de prejudicar a realização de jogos de futebol da Copa Africana das Nações
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Um soldado do exército nacional de Camarões foi morto na quarta-feira (12) na cidade de Buea, no oeste do país. A região serve como base para quatro seleções nacionais que atualmente disputam a Copa Africana de Nações, o principal torneio de futebol do continente africano. As informações são da agência Reuters.

O soldado foi morto devido à explosão de um IED (dispositivo explosivo improvisado, da sigla em inglês), em meio a um ataque no qual rebeldes trocaram tiros com os militares. A ação foi realizada pelas Forças de Defesa de Ambazónia, grupo separatista armado que luta pela independência da região de língua inglesa, no intuito de formar a República da Ambazónia.

soldados do exército de Camarões em treinamento, março de 2014 (Foto: nara.getarchive.net)

“Nossas forças lançaram um ataque com IED que matou um soldado. Uma força irmã conhecida como Mountain Lions (Leões da Montanha, em tradução literal) também envolveu os militares em um combate de uma hora”, disse Cho Ayaba, líder do grupo rebelde.

Segundo Ayaba, o objetivo do ataque era prejudicar os preparativos para dois jogos da competição de futebol que ocorreriam naquele dia em Limbe, uma cidade costeira que fica a cerca de uma hora de Buea.

Akem Kelvin Nkwain, um advogado de direitos humanos de Buea, confirmou que homens armados entraram na cidade, abriram fogo e usaram artefatos explosivos. Segundo ele, um motorista de táxi e um passageiro também morreram no fogo cruzado. A informação, porém, não foi confirmada oficialmente pelo governo local.

Os dois jogos, válidos pelo grupo F do torneio, ocorreram normalmente. No primeiro, o Mali derrotou a Tunísia por 1 a 0, gol de Ibrahima Koné. Na segunda partida, Ablie Jallow marcou o único gol da vitória de Gâmbia sobre a Mauritânia.

Por que isso importa?

Camarões atravessa um tenso período de disputa política que começou em 2016, quando professores e advogados tomaram as ruas para protestar contra o domínio da língua francesa nos tribunais e nas escolas. A greve ganhou corpo rapidamente, e em novembro uma boa parte da população já pedia por reformas políticas e pelo uso do inglês como língua oficial na porção ocidental do país.

De lá para cá, a barreira do idioma separou o país de 25 milhões de habitantes. Os grupos separatistas anglófonos ganharam força, e a violência teve escalada rápida a partir de outubro de 2017. Os conflitos entre rebeldes e governo se concentram nas províncias Noroeste e Sudoeste, com acusações mútuas de assassinatos de civis.

O Ministério da Defesa acusa “a existência de ligações e trocas de armamentos sofisticados” entre “terroristas separatistas” e “outras entidades terroristas que operam além das fronteiras”, incluindo grupos extremistas islâmicos.

Sem sucesso nas tentativas de firmar um acordo de paz com os combatentes, o presidente Paul Biya, há 38 anos no poder, já pediu ajuda à União Europeia (UE) e aos Estados Unidos. Mais de 3,5 mil pessoas morreram em virtude da violência, e ao menos 700 mil foram forçadas a deixar suas casas.

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