Transição no Burundi é antecipada após morte de presidente

Vácuo de poder já gerava disputa entre generais; posse não contou com a presença de outros chefes de Estado
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Depois de uma eleição marcada por acusações de fraude e a morte do antigo presidente, Pierre Nkurunziza, dois meses antes da transição de poder, o Burundi tem um novo chefe de Estado: Evariste Ndayishimiye. A posse ocorreu nesta quinta (18), na capital Gitega.

De acordo com a BBC, a cerimônia não contou com a presença de governantes de outros países. A posse foi antecipada após a morte de Nkurunziza, no último dia 8 – segundo o governo, de um ataque cardíaco. Foi especulado que o mandatário havia contraído o novo coronavírus.

Transição no Burundi é antecipada após morte de presidente
Rua de Gitega, capital de Burundi (Foto: Dave Proffer/Flickr)

Segundo a Reuters, a transição aconteceu dois meses antes do previsto pois havia temores de uma disputa de generais pela vaga presidencial.

Nkurunziza iria deixar a cadeira presidencial após 15 anos. A eleição, que aconteceu durante a pandemia, foi marcada por acusações de fraude por parte da oposição. Ndayishimiye, aliado do ex-presidente, foi eleito com quase 69% dos votos, segundo autoridades locais.

O presidente falecido também havia expulsado do país a delegação da OMS (Organização Mundial da Saúde) e figurava entre os líderes negacionistas da Covid-19.

Durante a cerimônia de posse de Ndayishimiye, em um estádio em Gitega, as recomendações de distanciamento social não foram respeitadas. Em seu discurso, o novo presidente afirmou que defenderá a “soberania do Burundi e garantir liberdade e proteção para cada cidadão”.

O país se tornou um pária na questão dos direitos humanos em 2015, quando Nkurunziza ignorou a Constituição e concorreu a um terceiro mandato. Houve perseguição sistemática de opositores, com relatos de estupros coletivos, torturas e morte.

À época, o país expulsou os enviados da ONU (Organização das Nações Unidas) para os direitos humanos e deixou o Tribunal Penal Internacional.

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