Após calote, Zâmbia defende que ‘credores também têm culpa por dívida externa’

Credores dizem não ter informações suficientes para suspender dívida; país soma US$ 11 bilhões em débitos
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Os credores também são culpados pelo calote da Zâmbia na dívida externa, disse o ministro das Finanças, Bwalya Ng’andu, à Bloomberg nesta segunda-feira (16).

O país de 17 milhões de habitantes, na África Oriental, foi o primeiro africano a assumir o default no final de setembro.

De acordo o governo da Zâmbia, a pandemia forçou o atraso no pagamento e os credores estrangeiros só voltarão a receber os juros da dívida externa em débito a partir de 2021.

Até o momento, a Zâmbia deixou de quitar o pagamento de juros de até US$ 42,5 milhões sobre US$ 1 bilhão em eurobônus com vencimento em 2024.

Os 15 detentores de títulos da Zâmbia, porém, afirmaram que não deram o aval à suspensão da dívida por falta de informações para tomar a decisão. O grupo havia solicitado detalhes sobre a trajetória política e a abertura fiscal do país, assim como a transparência com outros credores.

Credores também têm culpa em calote da dívida externa, diz Zâmbia
O ministro de Finanças da Zâmbia, Bwalya Ng’andu, em pronunciamento sobre a dívida externa do país, na capital Lusaka, em novembro de 2018 (Foto: Bank of Zambia)

Juntos, os 15 investidores representam mais de 40% dos US$ 3 bilhões em títulos da Zâmbia. Ao todo, a Zâmbia deve US$ 11 bilhões em títulos negociados com o exterior – a maior parte para a China.

Zâmbia pede ajuda

Como já fez com outros países, a China garantiu a suspensão de todos os juros e do principal empréstimo da Zâmbia, de mais de 110 milhões de títulos, programado para vencer até o final de dezembro.

De acordo com Ng’andu, uma equipe do FMI (Fundo Monetário Internacional) deve visitar o país em dezembro. O objetivo do encontro é finalizar um acordo sobre UM instrumento específico para a contenção da dívida.

“Imaginem que somos um homem se afogando em um rio de fluxo rápido”, exemplificou o ministro de Finanças. “O FMI está parado com os braços cruzados e nós estamos gritando por ajuda. Não adianta nada querer dizer que nos ajudarão quando sairmos da água”.

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