Uma investigação aponta que um navio cargueiro russo sob sanções internacionais foi utilizado para transportar veículos blindados destinados ao Mali, com operação passando pelo porto de Conacri, na Guiné, e seguindo por rota terrestre até Bamako. As informações são da France24.
O navio, identificado como Sabetta, teria partido da Rússia com carga militar e feito escala em território guineense antes de concluir a entrega no interior do continente africano. A movimentação reforça suspeitas sobre o uso de rotas alternativas para driblar sanções impostas a embarcações e empresas russas após a guerra na Ucrânia.

Segundo a apuração, o transporte seguiu uma rota já mapeada por fontes especializadas em segurança no Sahel: primeiro o deslocamento marítimo até o porto de Conacri e, em seguida, a transferência terrestre por comboios militares até o Mali.
Imagens de satélite e registros de rastreamento marítimo indicam que o navio foi monitorado por forças internacionais durante sua travessia por áreas estratégicas, incluindo o Canal da Mancha, onde chegou a ser acompanhado por embarcações militares britânicas.
A carga desembarcada na Guiné teria incluído veículos blindados que posteriormente foram vistos em deslocamento rumo ao Mali. Parte do material seria de origem chinesa, incluindo modelos produzidos pela Norinco, como o CS/VP14 e o CS/VN9, além de veículos utilitários militares.
Além disso, vídeos e registros locais também apontam a presença de equipamentos de origem russa, como blindados BMP-3, TIGR e VPK-Ural, sugerindo uma possível combinação de fornecedores na mesma operação logística.
Especialistas em segurança internacional avaliam que essa mistura de origens pode refletir tanto cooperação indireta entre Rússia e China quanto estratégias de aquisição diversificada de armamentos por parte de forças atuantes no Sahel.
O destino final do material seria o exército do Mali, que nos últimos anos ampliou sua cooperação militar com a Rússia. Outra possibilidade mencionada por analistas é o uso desses equipamentos por grupos paramilitares ligados ao Afrika Korps, estrutura que substituiu o Wagner Group na região.
A operação ocorre em meio ao aumento da presença militar russa na África Ocidental e ao reforço do controle internacional sobre navios e empresas envolvidas em transporte de material bélico sob sanções.