Américas

No Haiti, protestos contra Moïse terminam com violência a jornalistas

Protestos pedem remoção do presidente haitiano, que se recusa a deixar cargo e convocar eleições no país

O protesto contra o presidente do Haiti, Jovenel Moïse, nesta quinta-feira (11), na capital Porto Príncipe, terminou em agressão contra ativistas e jornalistas em serviço por parte da polícia, informou o portal Latin American Herald Tribune.

Agentes haitianos lançaram gás lacrimogêneo contra um veículo da Radio Tele Pacific, de acordo com o canal Al-Jazeera. Um fotógrafo da Associated Press foi ferido na perna após ser atingido por uma bomba de gás lançada pela polícia.

Na segunda (8), dois jornalistas foram baleados em uma manifestação em frente ao Palácio Nacional, residência do presidente. O ataque aos profissionais da imprensa é parte da tentativa de conter os protestos pela renúncia de Moïse.

Polícia do Haiti atinge jornalistas durante protestos contrários a Jovenel Moise
Haitianos fogem da polícia em protestos contra o governo na capital Porto Príncipe, em novembro de 2020 (Foto: WikiCommons/Al-Jazeera)

O presidente defende que seu mandato continua até fevereiro de 2022, enquanto a oposição defende que o governante deveria ter deixado o posto no último dia 7. Moïse acusa a oposição de tramar um golpe e seu assassinato.

O mandato do presidente terminou no domingo (7), quinto aniversário das eleições de 2015. Cancelado à época, o pleito foi realizado novamente no ano seguinte após alegações de fraude. O presidente afirma que só assumiu o poder em 2017, após vencer o pleito do ano anterior.

Para a oposição, Moïse também violou a Constituição ao não realizar eleições legislativas em 2019. Desde então, o Parlamento está vazio.

Juízes aposentados à força

O governo haitiano também aumentou o cerco sobre o Judiciário. Em meio aos protestos, a oposição pediu que três juízes da Suprema Corte nomeassem um presidente interino, até a realização de novas eleições.

Os três foram “aposentados à força” no último domingo (7), disse o “The Guardian”. Pelo menos 23 pessoas foram presas no protesto, incluindo o juiz do Supremo Yvickel Dabrésil. Autoridades o libertaram na noite desta quinta-feira (11).

A OEA (Organização dos Estados Americanos) e os EUA concordam que o fim do mandato ocorra em 2022. Na terça (9), porém, Washington criticou a decisão de Moïse de aposentar os juízes.

O Haiti tem uma história marcada por pobreza, autoritarismo, instabilidade política e interferência externa desde a independência da França após uma revolta, em 1804.

Hoje, consequências do devastador terremoto de janeiro de 2010, que matou 200 mil pessoas, ainda são presentes no cotidiano no país. Sob Moïse, o país caribenho, de 11 milhões de habitantes, vive também aumento da miséria, surtos de doenças como a cólera e altos índices de violência.