Américas

Possíveis casos de ‘Síndrome de Havana’ alteraram a agenda da vice dos EUA

Dois funcionários do governo relataram problemas de saúde inexplicáveis no Vietnã, para onde Kamala Harris se dirigia

A agenda da vice-presidente dos Estados Unidos, Kamala Harris, que está em viagem pelo sudeste asiático, sofreu uma alteração de última hora. O voo que a levaria de Singapura ao Vietnã, na terça-feira (24), sofreu um pequeno atraso devido à investigação de dois possíveis casos de “Síndrome de Havana”. As informações são da agência Associated Press.

Na semana passada, dois funcionários do governo norte-americano no Vietnã relataram problemas de saúde que os médicos não conseguiram explicar imediatamente. A incerteza é tamanha que, ao menos até agora, não é possível afirmar que os sintomas estejam de fato relacionados à síndrome.

Jen Psaki, porta-voz da Casa Branca, informou apenas que os casos não envolvem pessoas da comitiva da vice-presidente. Segundo ela, “foi feita uma avaliação da segurança da vice-presidente e foi decidido que ela poderia continuar a viajar com sua equipe”. As investigações ainda são preliminares.

Joe Biden, preesidente dos Estados Unidos, e Kamala Harris, a vice, em março de 2020 (Foto: Flickr)

A “Síndrome de Havana” consiste em uma alteração das funções cerebrais que gera dor de cabeça, enjoo, tontura e prejuízos à audição. Um relatório aponta que oficiais de inteligência e diplomatas acometidos pelo distúrbio trabalham com temas ligados à Rússia, entre eles segurança cibernética, exportação de gás e questões de interferência política.

Casos têm surgido em diversas partes do mundo, com maior incidência na Europa e na Ásia. O problema atingiu sobretudo oficiais da CIA (Agência Central de Inteligência, da sigla em inglês), mas também foram reportados casos envolvendo funcionários do FBI (Serviço Federal de Investigação, da sigla em inglês) e dos Departamentos de Defesa e Estado.

Em julho, a revista norte-americana The New Yorker relatou mais de 20 casos envolvendo diplomatas, oficiais de inteligência e outros funcionários públicos em Viena, na Áustria. Um diplomata norte-americano em Berlim teria retornado mais cedo aos EUA devido aos sintomas, mas não é possível concluir ter se tratado da “Síndrome de Havana”. Na semana passada, dois diplomatas dos Estados Unidos na Alemanha buscaram atendimento médico após manifestarem sintomas compatíveis.

Por que isso importa?

Os primeiros casos foram identificados em 2016, em Cuba, daí o nome “Síndrome de Havana”, sendo as vítimas diplomatas e outros funcionários de Washington que relataram os sintomas após ouvirem estranhos sons agudos e graves. Foram reportadas alterações auditivas, de equilíbrio e cognitivas, além de concussão.

Embora o caso ainda esteja cercado de incertezas e os cientistas não tenham uma posição conclusiva sobre a condição, um relatório das Academias Nacionais de Ciências, Engenharia e Medicina dos EUA aponta que algumas das lesões cerebrais observadas eram consistentes com os efeitos da energia de microondas direcionada. O tema vem sendo estudado na Rússia.