Ásia e Pacífico

Afeganistão tem menor número de mortes para 1º trimestre desde 2012

Apesar da queda, mais de 500 civis morreram entre janeiro e março deste ano; 150 eram crianças

O Afeganistão registrou o menor número de mortes de civis em um primeiro trimestre pela primeira vez desde 2012, de acordo com um relatório divulgado pelas Nações Unidas nesta segunda (27).

A queda foi de quase um terço em relação ao mesmo período do ano passado, mas 533 civis já morreram entre janeiro e março deste ano. Entre o total, 150 eram crianças.

De acordo com a ONU, 53% dessas mortes foram causadas por elementos anti-governo, como o Taleban; 37% são de responsabilidade de forças pró-governo; e 10% foram vítimas de fogo-cruzado.

A Missão de Assistência da ONU no Afeganistão, a Unama, manifestou preocupação com a intensificação dos combates durante o mês de março, apesar do acordo firmado entre os EUA e o Taleban em fevereiro e da redução na violência entre as forças governamentais e os talebãs.

A representante do secretário-geral da Unama Deborah Lyons pediu que o cessar-fogo pedido pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, seja atendido no país. “Para salvar a vida de inúmeros civis, é essencial que acabe a violência com a determinação de um cessar-fogo.”

Coronavírus

A trégua é vista pela ONU também como uma maneira de mitigar os impactos do novo coronavírus na região. A última atualização da OMS (Organização Mundial da Saúde) desta segunda apontava 1,7 mil casos confirmados no Afeganistão. Ao todo, 57 pessoas morreram.

A OMS afirma que vem ajudando o país com o treinamento de profissionais de saúde desde o fim de janeiro. Foram estabelecidos ainda sete laboratórios para testagem.

Em fevereiro, o ministro da Saúde do Afeganistão afirmou que havia designado equipes de saúde para a triagem de passageiros nos aeroportos e pontos de entrada no país.

Família anda pelas ruas com pouca infraestrutura em cidade do Afeganistão (Foto: Fraidoon Poya/UNAMA)

Entenda a guerra

A guerra no Afeganistão é um dos conflitos armados mais longos já travados pelos Estados Unidos, que lançaram ataques aéreos contra o país um mês após os atentados de 11 de setembro, em 2001.

A decisão foi tomada após o grupo islâmico radical Taleban, que governava o Afeganistão à época, decidir proteger o então chefe do grupo extremista al-Qaeda, Osama bin Laden, e não entregá-lo ao governo norte-americano.

O Taleban foi retirado do poder após outros países apoiarem as investidas dos EUA, mas nunca perdeu sua influência na região. Com as dificuldades estruturais e financeiras do atual governo afegão e a resistência dos talebãs, a guerra dura há 18 anos e muitos já morreram nos conflitos.

Em fevereiro deste ano, os Estados Unidos e o Taleban assinaram um acordo que encerraria a longa guerra. Os norte-americanos e os seus aliados da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) concordaram em retirar suas tropas do Afeganistão em até 14 meses.

Já os militantes concordaram em não permitir que a al-Qaeda ou outro grupo extremista opere nas áreas controladas por eles.