Ásia e Pacífico

Com ‘zero’ casos de Covid, Turcomenistão proíbe viagens pelo país até janeiro

Além dos deslocamentos, autoridades turcomenas vetaram o uso da palavra “coronavírus” no país

O governo do Turcomenistão, país da Ásia Central que não registra de maneira oficial os casos de Covid-19, proibiu viagens pelo país até janeiro, informou a Radio Free Europe na terça (3).

A população só poderá realizar viagens de emergência após a análise de uma comissão especial. As autoridades não ofereceram justificativa para a decisão.

Desde o dia 31 o país não realiza testes de Covid-19, cujos resultados viabilizavam o trânsito pelo país. A decisão deve atingir pessoas que residem em cidades próximas à capital, Ashgabat, e se deslocam todos os dias para trabalhar, disseram fontes.

Sem alegar Covid-19, Turcomenistão proíbe viagens pelo país até janeiro
O presidente do Turcomenistão, Gurbanguly Berdymukhammedov, em pronunciamento na Assembleia Geral da ONU, Nova York, em setembro de 2009 (Foto: UN Photo/Marco Castro)

Desde o início da pandemia, o Turcomenistão não registrou sequer um caso de contaminação pelo novo coronavírus. Ao lado de micronações no Pacífico e da Coreia do Norte, são os únicos a alegarem não haver registro da doença.

O país também é vizinho do Irã, que já soma cerca de 655 mil casos e quase 37 mil mortes – sob vários indícios de subnotificação.

Em abril, o presidente Gurbanguly Berdymukhammedov proibiu o uso da palavra “coronavírus” entre a população e publicações oficiais e da mídia estatal.

De acordo com correspondentes da RFE no Turcomenistão, os 5,8 milhões de habitantes convivem com o sistema de saúde sobrecarregado de pacientes com “sintomas semelhantes aos da Covid-19″.

Em julho, a OMS (Organização Mundial da Saúde) exortou o país a tomar medidas efetivas para enfrentar a doença.

Com um forte impacto no sistema fúnebre, corpos de mortos são entregues a seus parentes em sacos plásticos especiais e o número de sepulturas aumenta exponencialmente.

O Turcomenistão é um dos países mais fechados do mundo. No poder desde 2007, Berdymukhammedov atua com mão de ferro sobre as reservas de gás natural do país e repreende qualquer tentativa de liberdade de imprensa ou contato externo.