Ásia e Pacífico

Famílias de combatentes do EI na Síria serão repatriados no Tadjiquistão

País espera receber 800 cidadãos até janeiro; duas mil pessoas deixaram o Tadjiquistão para se unir ao EI desde 2014

O Tadjiquistão se prepara para repatriar cerca de 800 refugiados nas regiões da Síria controladas pelos curdos. A maior parte são familiares de combatentes do EI (Estado Islâmico) mortos ou presos, registrou a Radio Free Europe.

A expectativa é que os refugiados cheguem ao país da Ásia Central até o início de janeiro. O governo tadjique quer levar de volta todas as mulheres e crianças detidas em prisões e campos de refugiados na Síria e Iraque.

Entre os refugiados na Síria, pelo menos 200 cidadãos tadjiques já se dispuseram a retornar ao país via repatriação voluntária. Estima-se que duas mil pessoas deixaram o Tadjiquistão para se juntar ao EI desde 2014.

Muitos dos refugiados, porém, temem retornar ao país. Uma mulher no campo de Al-Hawl afirmou que mulheres refugiadas temem serem presas assim que tocarem o solo tadjique.

Famílias de combatentes do EI na Síria serão repatriados no Tadjiquistão
Criança acena ao deixar a cidade de Atarib, na Síria, em direção a campos de refugiados em fevereiro de 2020 (Foto: Unicef/Forat Abullah)

Além disso, viúvas de combatentes do EI ainda esperam que o grupo extremista retorne. Relatórios apontam que militantes do grupo já apelidaram os campos como o “berço do próximo califado”.

Sem escola, as crianças vivem em campos de mais de 60 mil pessoas na Síria. Falta comida, medicamentos e eletricidade. “A água entra nas barracas por meio de buracos”, relatou o embaixador do Tajiquistão no Kuwait, Zubaidullo Zubaidzoda.

Repatriação

O Tadjiquistão, Cazaquistão e Uzbequistão optaram por repatriar todos os cidadãos que estão na Síria e Iraque pelo EI à terra natal. Os países também aceitam filhos de mulheres tadjiques com pais de outras nacionalidades.

Em 2015, o governo do Tadjiquistão anunciou a anistia de todos os combatentes caso voltassem voluntariamente ao país e se arrependessem de suas ações. A política levou dezenas de volta.

Segundo a RFE, eles retomaram a vida normal “após um breve interrogatório”. Poucos militantes e recrutadores foram julgados e condenados à prisão após o retorno ao país, de maioria muçulmana.