Oriente Médio

Forças curdas libertam 120 famílias sírias em campo do Estado Islâmico

Todos os 25 mil cidadãos sírios devem deixar campo de Al-Hol nas próximas semanas, dizem autoridades curdas

As forças curdas libertaram, nesta segunda (16), cerca de 120 famílias do campo da cidade de Al-Hol, ao nordeste da Síria. Parte dos prisioneiros tinha ligação com o Estado Islâmico.

Esse deve ser o primeiro grupo de libertos até que todos os 25 mil cidadãos sírios deixem o local, disse o funcionário do governo curdo, Sheikmous Ahmed. Do número total, estima-se que 17 mil sejam crianças.

A saída é voluntária e vem na esteira do anúncio de libertação de todos os 25 mil cidadãos sírios do local, em outubro. O objetivo da anistia geral é diminuir a pressão sobre as autoridades que mantêm o campo.

“Administrar o campo se tornou um fardo financeiro e de segurança ao governo”, disse a funcionária curda, Ilham Ahmed, à Associated Press.

Forças curdas libertam 120 famílias em campo Al-Hol na Síria
Crianças esperam mantimentos no campo de Al-Hol, ao nordeste da Síria, em abril de 2020 (Foto: Unicef/Deil Souleiman)

Com condições precárias de higiene e saúde, os moradores vivem sob a sombra da violência e insegurança.

De acordo com o Conselho Democrático Sírio, ao contrário das libertações anteriores, a ação não exige acordos com as comunidades árabes locais às quais pertencem os detidos.

Estima-se que o campos também abriguem cerca de 30 mil iraquianos – a maioria crianças –, e outros 10 mil estrangeiros, que deverão retornar ao país de origem após a assinatura de acordos próprios.

O número de detidos cresceu após a transferência de famílias de combatentes do Estado Islâmico e apoiadores do grupo ao local.

Partes da província de Deir el-Zor estão sob o controle do governo sírio, enquanto outras permanecem sob a guarda do Estado Islâmico. O grupo extremista segue ativo em bases adormecidas nos desertos da Síria e Iraque.

As tropas curdas já libertaram cerca de dois mil estrangeiros na última semana, supostamente ligados a atividades terroristas do EI.

No Brasil

Casos mostram que o país é um “porto seguro” para extremistas. Em dezembro de 2013, um levantamento do site The Brazil Business indicava a presença de ao menos sete organizações terroristas no Brasil: Al Qaeda, Jihad Media Battalion, Hezbollah, Hamas, Jihad Islâmica, Al-Gama’a Al-Islamiyya e Grupo Combatente Islâmico Marroquino. Em 2001, uma investigação da revista VEJA mostrou que 20 membros terroristas de Al-Qaeda, Hamas e Hezbollah viviam no país, disseminando propaganda terrorista, coletando dinheiro, recrutando novos membros e planejando atos violentos. Em 2016, duas semanas antes do início dos Jogos Olímpicos no Rio, a PF prendeu um grupo jihadista islâmico que planejava atentados semelhantes aos dos Jogos de Munique em 1972. Dez suspeitos de serem aliados ao Estado Islâmico foram presos e dois fugiram. Saiba mais.