Na China, centros de detenção de uigures são ocultados em app de mapas

Plataforma chinesa Baidu Maps não mostra centros conhecidos por deter população uigure e outras minorias muçulmanas
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Possíveis campos de detenção de uigures, minoria muçulmana da província de Xinjiang, no oeste da China, estão apagados das imagens de satélite do Baidu Maps, aplicativo de mapas mais usado no país. A informação está no levantamento do Buzzfeed News, publicado na última quinta (27).

Os jornalistas perceberam o erro quando tentavam investigar os acampamentos nas imagens de satélite disponibilizadas pela plataforma chinesa.

As imagens de satélite mostravam “pontos em branco” nos mapas. Mas ao cruzar com outras plataformas os repórteres perceberam que os espaços em branco eram na verdade campos de detenção – e havia vários além dos que eles já conheciam.

Na China, centros de detenção de Xinjiang estão ocultos nas imagens de satélite
Mapa de um dos centros de detenção em Xinjiang (Foto: Reprodução/Planet Labs)

Ao todo, 428 locais com marcas de prisões e centros de detenção foram identificados em quase todas as microrregiões de Xinjiang. Há indícios de que 315 desses espaços fazem parte do sistema de detenção de uigures. Muitos teriam sido construídos depois de 2016.

Os espaços também possuem uma segurança superior à verificada em estruturas mais antigas.

“Na arquitetura e nos recursos de segurança, eles se parecem mais com outras prisões da China do que com as escolas e hospitais convertidos que formaram os primeiros acampamentos em Xinjiang”, diz a reportagem.

O governo chinês afirmou já ter solicitado o fechamento desses campos, originalmente conhecidos como “escolas voluntárias de treinamento anti-extremismo”.

Testemunhas relatam que os centros são, na realidade, campos de concentração das minorias uigures, vistas com desconfiança pela maioria dos chineses. Questionada, a Baidu Maps não se manifestou.

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