Ásia e Pacífico

China nega ‘nova Guerra Fria’ e busca reforços para aliança na Itália

Em visita do chanceler a Roma, europeus sinalizaram ceticismo com chineses, mas buscam espaço para exportações

O ministro chinês das Relações Exteriores, Wang Yi, afirmou na terça (25), em uma viagem à Itália, que uma “Guerra Fria 2.0” não está em andamento e o termo é rejeitado por Beijing, registrou o jornal South China Morning Post, de Hong Kong.

O clima tenso entre os dois países motiva a China a buscar por novos aliados na Europa. A primeira parada estratégica foi na Itália, já que o país foi a única nação do G7 a apoiar a iniciativa chinesa do Cinturão e Rota.

A política da Cinturão envolve investimentos em infraestrutura, telecomunicações e outras áreas consideradas estratégicas para o governo chinês no exterior.

China refuta "nova Guerra Fria" e busca por reforço de aliança na Itália
Os ministros de Relações Exteriores da China, Wang Yi, e da Itália, Luigi Di Maio, no dia 25 de agosto de 2020, em Roma (Foto: Twitter/Ministério de Relações Exteriores da China)

“A China não tem intenção de lançar nenhuma nova Guerra Fria”, disse Wang. “Isso é pelo interesse próprio, para manter todos os países do mundo como reféns”, afirmou sobre os Estados Unidos, sem citar nomes.

Roma, porém, prefere não fechar portas aos EUA, seu principal aliado. “Compartilhamos com os EUA em termos de comércio e de valores”, disse o vice-primeiro-ministro, Luigi Di Maio, que recebeu Wang em Roma.

O Cinturão chinês, porém, é visto como oportunidade de negócio para as exportações italianas.

Aliança questionada

O fortalecimento de uma aliança com a Itália, no entanto, pode não atender as expectativas de Beijing. Di Maio sinalizou a contínua desaprovação da União Europeia à lei de segurança nacional imposta a Hong Kong.

Além disso, nenhum dos dois ministros sequer mencionou a exclusão da Huawei pela principal empresa de telecomunicações da Itália na implantação das redes 5G no país. O governo italiano não se opôs ao uso da tecnologia chinesa.

Sem afirmar uma aliança, Di Maio manteve-se neutro com Wang e só “bateu os cotovelos” depois da insistência do ministro chinês, registrou o jornal de Hong Kong. Depois da Itália, a comitiva chinesa partiu para a Holanda.