Ásia e Pacífico

China impõe controle de natalidade à minoria uigur, dizem organizações

Especialistas acusam governo chinês de “genocídio demográfico” com supressão da comunidade muçulmana no país

O governo da China impôs medidas de diminuição a taxa de natalidade entre a população uigur e outras minorias. Grupos de direitos humanos apontam que o objetivo é diminuir a comunidade muçulmana no país.

Os uigures são um povo muçulmano que habita sobretudo a região autônoma chinesa de Xinjiang, que faz fronteira com Cazaquistão, Quirguistão, Tajiquistão, Paquistão e Afeganistão.

A China acusa os uigures de fazerem uma campanha violenta pela independência da região. Já os representantes da minoria reporta discriminação pela maioria étnica Han e repressão pelo Estado chinês.

O aumento da prática em Xinjiang está levando ao que os especialistas estão chamando de “genocídio demográfico”, segundo a agência de notícias Associated Press.

Esterilização compulsória

Mulheres uigures estão sendo submetidas de maneira forçada a controles de natalidade. Dispositivos intra-uterinos, esterilização e até aborto são cada vez mais comuns, embora o emprego desses métodos tenha diminuído no restante do país.

De acordo com a apuração da AP, o não cumprimento das medidas é o principal motivo pelas quais as pessoas são enviadas a campos de detenção.

Dos 484 presos no condado de Karakax, 149 foram detidos por terem muitos filhos. Houve ainda aumento no valor das multas para quem violasse as leis de planejamento familiar.

China impõe controle de natalidade à população Uigur
Criança uigur em mercado de Hotan, região de Xinjiang (Foto: Wikimedia Commons)

Nas regiões majoritariamente uigures de Hotan e Kashgar, a taxa de natalidade caiu mais de 60% entre 2015 e 2018. Em 2019, a queda foi de 24% em Xinjiang, ante 4,2% no restante do país.

O governo chinês nega repressão e afirma tratar todas as etnias da China de forma igual, protegendo direitos legais das minorias. As autoridades dizem ainda que as medidas de controle permitem apenas que as minorias étnicas e chineses han tenham o mesmo número de crianças.

Especialistas apontam que a campanha é parte de uma estratégia de conversão religiosa. Uigures seriam submetidos à reeducação política e religiosa em campos e trabalhos forçados em fábricas. Já as crianças são doutrinadas em orfanatos.

Medidas forçadas

O grupo de direitos humanos Congresso Mundial Uigur afirmou nesta segunda (29) que o controle de direitos reprodutivos em Xinjiang se intensificou nos últimos anos, assim como o encarceramento em massa.

De acordo com o Congresso, aqueles que se recusam a se submeter a métodos contraceptivos forçados são enviados a campos de detenção. Neles, há cerca de 1,8 milhão de uigures e outras minorias muçulmanas.

Uma campanha de esterilização de 2019 nas regiões rurais uigures visava atingir entre 14% e 34% das mulheres casadas e em idade fértil em dois distritos.

Em 2018, 80% de todas as novas implantações de DIU na China foram realizadas em Xinjiang, apesar da região abrigar apenas 1,8% da população da China.

Segundo o Congresso uigur, as violações cometidas pelo Estado chinês atendem aos critérios para genocídio definidos pela convenção da ONU sobre a prevenção e punição do crime de genocídio.