Navio iraniano é afundado perto do Sri Lanka e deixa dezenas de mortos

Ataque com torpedo marca a primeira ação do tipo desde a Segunda Guerra Mundial, segundo o secretário de Defesa dos Estados Unidos, e leva tensão a países do sul da Ásia

O conflito entre Estados Unidos e Irã ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira (4), após um submarino americano torpedear um navio de guerra iraniano próximo ao Sri Lanka, no Oceano Índico. A informação foi confirmada pelo secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, que classificou a ação como parte da campanha militar em curso contra o regime iraniano. As informações são do The New York Times.

Segundo autoridades cingalesas, o navio iraniano afundou ao largo da costa sul do país. Pelo menos 80 pessoas morreram e 32 tripulantes foram resgatados com vida. A embarcação levava cerca de 180 pessoas a bordo.

IRIS Dena (Foto: WikiCommons)
Primeiro torpedeamento desde a Segunda Guerra

De acordo com Hegseth, esta foi a primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial que um submarino dos Estados Unidos disparou um torpedo contra um navio inimigo em combate direto.

O alvo seria o IRIS Dena, descrito como um destróier da Marinha iraniana. O navio teria enviado um sinal de socorro às 5h08 no horário local, quando navegava fora das águas territoriais do Sri Lanka.

O governo do país asiático informou que mobilizou embarcações da Marinha e aeronaves da Força Aérea para prestar assistência humanitária, em conformidade com tratados internacionais de busca e salvamento marítimo.

Sul da Ásia vira campo de batalha

O ataque ocorreu a mais de 3 mil quilômetros de Teerã, ampliando significativamente o alcance geográfico da guerra. Nos últimos dias, o Irã também teria lançado mísseis em direção a outros países, incluindo Turquia e uma base britânica no Chipre.

Analistas avaliam que o episódio pode gerar pressão diplomática sobre o Sri Lanka, que historicamente mantém relações amistosas com o Irã e não havia adotado posição pública sobre o conflito até então.

Navio passou pelo Brasil há dois anos

O IRIS Dena, projetado e construído no Irã, era usado para uma variedade de atividades, incluindo defesa costeira, guerra antissubmarina e patrulha marítima. Ele vinha equipado com canhões e tinha capacidade para disparar misseis e torpedos.

A embarcarção esteve atracada no Brasil em março de 2023, o que gerou reprimendas dos Estados Unidos, inclusive com ameaça de sanções feitas por um senador republicano, e críticas manifestadas pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Israel, Lior Haiat.

À época, Brasília manifestou que não reconhece as sanções unilaterais dos Estados Unidos ao Irã, impostas quando Washington abandonou o acordo nuclear em 2018 durante o governo Trump.

Impacto em rotas marítimas

Horas antes da confirmação do ataque, o ministro das Relações Exteriores do Sri Lanka afirmou ter assinado o livro de condolências pelo líder supremo iraniano, Ali Khamenei, na embaixada do Irã em Colombo, destacando os laços bilaterais entre os dois países.

O episódio marca uma escalada significativa no conflito, com potencial impacto sobre rotas marítimas estratégicas no Oceano Índico e no comércio internacional.

Especialistas apontam que a ampliação do teatro de operações militares pode aumentar a instabilidade em uma região crucial para o transporte global de petróleo e mercadorias, elevando o risco de novos confrontos nos próximos dias.

Tags: