Ásia e Pacífico

Paquistão usa helicópteros para atacar o Baluchistão e atinge a população civil

Operação militar de grande escala na região tem lançando ataques que atingem a população civil nos últimos dias

O Paquistão tem usado o reforço aéreo de helicópteros de combate em uma operação militar de grande escala na região do Baluchistão. Os ataques das forças paquistanesas nos últimos dias atingiram inclusive a população civil, isolando várias áreas no distrito de Bolan e dificultando o acesso a informações sobre o número de vítimas, relatou o portal indiano Daijiworld.

O jornal local Baloch Warna, por sua vez, relata que helicópteros do exército paquistanês vêm bombardeado a província e áreas vizinhas desde a metade da semana. As ofensivas começaram na madrugada de quarta-feira (29), enquanto na terça-feira (28) novos contingentes do exército do Paquistão foram vistos avançando em direção a Bolan.

Os relatos sugerem que “comandos especiais” estão sendo transportados de avião para a região. As forças militares começaram a cercar toda a área desde que desembarcaram por lá.

Helicóptero do exército paquistanês (Foto: WikiCommons)

Outro veículo local, The Balochistan Post, corroborou a notícia e detalhou a ação militar, dizendo que oito helicópteros armados foram avistados sobrevoando a área e bombardeando várias casas em Soorgaarh, Chalri e Bok.

Em resposta, a Frente de Libertação do Baluchistão (BLF), um grupo pró-independência, intensificou ataques às forças paquistanesas, que ergueu cercas na fronteira na região que tem limites territoriais com Irã e Afeganistão.

O jornal paquistanês The News citou agências de inteligência, dizendo que a movimentação de cerca de 200 ativistas de diferentes organizações militantes Baloch e células do Estado islâmico (EI) foram avistados em colinas nos arredores de Quetta.

De acordo com o veículo, a presença de grupos extremistas do Afeganistão no Baluchistão sugere que os combatentes jihadistas estejam planejando ataques contra as cidades de Karachi, Lahore e Islamabad e Quetta por meio de células ativas e dormentes.

Atrito com a China

Os Baloch, povo iraniano que habita a região, têm desavenças com os chineses, em particular o embaixador de Beijing na capital Islamabad. Para eles, o Corredor Econômico China-Paquistão (CPEC), anunciado em 2015, estaria sugando as riquezas da região sem melhorar as condições da população local.

Com um orçamento de US$ 60 bilhões, o CPEC projeta ligar a cidade portuária de Gwadar, no Baluchistão, a Xinjiang, no noroeste da China, por meio de obras de rodovias e ferrovias. O acordo ainda prevê projetos de energia para atender às necessidades de abastecimento do Paquistão.

A população local se opõe à vertiginosa influência chinesa na província. A justificativa é de que o projeto bilionário de infraestrutura não tem beneficiado a região, enquanto outras províncias colhem os frutos. O caso gera protestos generalizados, e os chineses são vistos como invasores dispostos a extrair as riquezas da região.

Por que isso importa?

A região é palco de conflitos de grupos separatistas insurgentes que lutam pela independência do Baluchistão e querem a instituição de um governo central em Islamabad, capital do Paquistão. Os rebeldes argumentam que o governo paquistanês monopoliza a exploração dos vastos recursos minerais da província.

Enquanto a província segue em situação de extrema pobreza, com índices de educação baixíssimos e saúde pública precária, grupos nacionalistas Baloch têm travado uma guerra contra o estado do Paquistão.