Parceria “sem limites” entre Rússia e China mostra sinais de desgaste em 2026

Mesmo com o aumento do comércio bilateral no início de 2026, analistas apontam desaceleração econômica, queda na demanda e limites estruturais na relação entre Moscou e Beijing

A parceria estratégica entre Rússia e China, frequentemente descrita pelos presidentes Vladimir Putin e Xi Jinping como uma cooperação “sem limites”, começa a apresentar sinais de desgaste econômico em 2026. As informações são do The Moscow Times.

Apesar do discurso otimista durante a visita de Putin a Beijing nesta semana, dados recentes mostram que o comércio bilateral enfrenta desaceleração após anos de crescimento acelerado impulsionado pela guerra na Ucrânia e pelas sanções ocidentais contra Moscou.

Desde 2022, a China se tornou o principal parceiro comercial da Rússia, substituindo grande parte da dependência econômica que Moscou mantinha com a Europa. O país asiático passou a comprar volumes recordes de petróleo e gás russos, além de ampliar exportações de automóveis, eletrônicos e produtos industriais para o mercado russo.

Os presidentes da China, Xi Jinping e da Rússia, Vladimir Putin, em Beijing, maio de 2024 (Foto: Kremlin)

No entanto, após atingir níveis históricos, a relação comercial perdeu força em 2025. O comércio entre os dois países caiu 7%, somando US$ 227,6 bilhões, no primeiro recuo desde a pandemia de 2020.

Entre os principais fatores estão a queda dos preços globais do petróleo, a desaceleração da economia russa e o avanço da política chinesa de diversificação energética, reduzindo a dependência de fornecedores específicos.

As exportações russas de petróleo para a China recuaram 20% em 2025, enquanto derivados de petróleo caíram 33% e o carvão teve retração de 27%.

Do lado chinês, as vendas de automóveis para a Rússia sofreram forte impacto. Exportações de carros de passeio despencaram 44%, enquanto caminhões tiveram queda de 67%.

Embora 2026 tenha começado com uma recuperação parcial, especialistas alertam que parte desse crescimento ocorre devido à base fraca do ano anterior.

Entre janeiro e abril, o comércio bilateral cresceu 20%, impulsionado principalmente pela crise energética global e pela alta na demanda chinesa por petróleo russo após os conflitos envolvendo o Irã e o Estreito de Ormuz.

Mesmo assim, analistas avaliam que Rússia e China podem estar chegando ao limite do potencial econômico da parceria.

A infraestrutura energética russa já opera próxima da capacidade máxima, especialmente no fornecimento de gás à China. O projeto Poder da Sibéria 2 segue atrasado, dificultando uma ampliação significativa das exportações energéticas.

Além disso, o mercado russo demonstra sinais de enfraquecimento interno. O próprio governo russo prevê crescimento modesto do varejo em 2026, indicando menor consumo e redução da capacidade de absorver produtos chineses.

Especialistas também destacam que Moscou passou a pressionar empresas chinesas a produzirem localmente dentro da Rússia, reduzindo espaço para importações diretas.

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