Ásia e Pacífico

Parlamento da Tailândia tenta conciliação e ativistas recorrem à Alemanha

Manifestantes pró-democracia pedem à Alemanha que investigue possíveis irregularidades do rei Maha no país europeu

A sessão de dois dias organizada pelo Parlamento tailandês para encerrar a divisão política no país terminou nesta terça-feira (27) com a proposta de um “comitê de reconciliação”.

A sugestão não foi bem recebida pelos manifestantes pró-democracia, que pedem uma investigação da monarquia da Tailândia à Alemanha.

Na prática, o rei Maha Vajiralongkorn vive no país europeu – o que ensejou um pedido, por carta, para que Berlim investigue se o rei conduziu assuntos de Estado em solo alemão.

Parlamento da Tailândia tenta conciliação e ativistas recorrem à Alemanha
Um dos líderes das manifestações pró-democracia, Joshua Wong, na embaixada da Alemanha em Bangkok, logo após entrega da carta pela investigação de Berlim ao rei Maha, em outubro de 2020 (Foto: Twitter/Joshua Wong)

Os manifestantes argumentam que o rei violou a soberania territorial germânica e pedem que o rei seja obrigado a voltar para a Tailândia.

Na segunda (26), depois após as atividades da sessão parlamentar, cerca de cinco mil manifestantes pró-democracia foram até a embaixada alemã na capital Bangkok.

A Alemanha é vista como uma aliada pelos manifestantes desde que o ministro das Relações Exteriores, Heiko Maas, disse estar “preocupado” com a condução do monarca ao país, registrou o jornal alemão Merkur.

Maas afirmou, na segunda (26), que está examinando as atividades do rei na Alemanha. “Temos averiguado não apenas nas últimas semanas, mas a longo prazo. Se existe algo que consideramos ilegal, haverá consequência imediata”, pontuou.

Pressão contra Prayut

De acordo com o jornal “Bangkok Post”, há uma discussão interna sobre a possível renúncia do primeiro-ministro Prayut Chan-ocha – uma das principais reivindicações dos protestos.

As manifestações, que pedem pela redução de poderes do premiê e do rei Maha, começaram em julho e já se tornaram o maior movimento desde o golpe de 2014.

É possível que o Parlamento institua um referendo para que a população decida pela saída, ou não, do primeiro-ministro. A saída, contudo, tende a intensificar ainda mais a divisão política no país.

Ao mesmo tempo em que estudantes pedem pela reforma da monarquia, crescem os protestos em favor da família real da Tailândia.

Em roupas amarelas, mais de mil pessoas se reuniram para dar apoio à monarquia nesta terça (27). “Sou neutro, mas não suporto quando há uma violação na monarquia”, disse um dos manifestantes à Al-Jazeera.