Ásia e Pacífico

Na Tailândia, primeiro-ministro ganha aliados após reivindicação de renúncia

Ativistas querem que Prayut Chan-ocha deixe o governo até sábado (24); reforço de aliados pode interromper protestos

Entregue por líderes dos protestos da Tailândia na quarta (21), a carta que pede a renúncia do primeiro-ministro Prayut Chan-ocha até este sábado (24) pode ter sido o estopim para uma resposta ainda mais agressiva do governo tailandês contra os manifestantes pró-democracia.

Depois de revogar a proibição das manifestações, na quinta (22), Prayut passou a receber o apoio de lideranças como o Senado e o Exército do país.

Em uma cerimônia nesta sexta (23), o general chefe do Exército, Narongphan Jitkaewtae, teria esboçado um gesto de apoio ao premiê depois que um soldado pediu que “cuidassem de Prayut”. O general teria sorrido e concordado, registrou uma reportagem do jornal “Bangkok Post”.

A interpretação do gesto foi considerada um importante apoio do Exército tailandês ao primeiro-ministro no poder.

Na Tailândia, primeiro-ministro ganha aliados após reivindicação de renúncia
O general e primeiro-ministro da Tailândia, Prayut Chan-ocha, em sessão do Global Summit, em Bangkok, em abril de 2017 (Foto: Flickr/World Travel and Tourism Council)

O Senado da Tailândia também declarou seu apoio à monarquia do país e ao rei Maha Vajiralongkorn nesta quinta-feira, registrou o portal inglês Royal Central.

O presidente do Senado, Pornpetch Wichitcholchai, afirmou que é preciso “proteger e defender” a “nobre instituição”. O parlamentar ainda declarou que a monarquia é “absolutamente necessária à Tailândia”.

Reforma da monarquia

A declaração de Pornpetch vai na contramão do que defendem os centenas de milhares de manifestantes que tomaram as ruas da Tailândia desde o início de agosto.

Os protestos, que começaram com poucos estudantes em Bangkok, ganharam força e notoriedade ao reunirem adeptos pró-democracia e pela reforma da monarquia do país.

Os ativistas afirmam que, desde que assumiu o reinado, em 2016, o rei Maha autoinstituiu uma série de poderes, como o controle pessoal de unidades do exército e bens do palácio.

Na Tailândia, primeiro-ministro ganha aliados após reivindicação de renúncia
Imagem do Rei Maha está exposta em diversos locais de Bangkok (Foto: Michael Swan/Flickr)

Junto do monarca estaria o primeiro-ministro, que é acusado de corrupção e perseguição a oposicionistas. Para tentar conter os protestos, Prayut tentaria impor o controle na mídia do país, informou o jornal “Bangkok Post” na terça (21).

A informação está em um suposto despacho do governo ao qual os veículos de imprensa locais tiveram acesso.

O documento determina que as transmissões de televisão são uma “ameaça à segurança nacional ou aos bons costumes“. Nenhuma emissora de televisão foi bloqueada até o momento.

A ordem também sugeria um exame de todo o conteúdo de mídia do país e o bloqueio do Telegram. Boa parte das manifestações migraram para aplicativo de mensagens depois que o governo processou o Facebook e Twitter por “mensagens ofensivas”.