Protestos marcados por teorias da conspiração, sentimento anti-China e supremacia branca dão impulso à extrema direita no Canadá em meio à pandemia do novo coronavírus. As informações são da revista Foreign Policy.
Em Toronto e Vancouver, manifestantes se reuniram nas ruas para pedir o fim da quarentena imposta por todo o país, com cartazes de ameaça ao primeiro-ministro Justin Trudeau, invasão a um hospital que afirmavam estar vazio e destruição de uma bandeira chinesa.
No Canadá, até esta segunda (25), já foram registrados 84 mil casos confirmados da doença e 6,3 mil mortes, de acordo com dados da OMS (Organização Mundial da Saúde).
O país perdeu 2 milhões de empregos em abril, levando 13% da população ao desemprego, a maior taxa desde 1982.
Os impactos econômicos dão mais munição aos manifestantes, que vão desde os que se irritam com as consequências da quarentena na economia aos que acreditam que o vírus é uma trama global da China, da OMS e das Nações Unidas para controlar os canadenses.
Teorias e inimigos
Os que acreditam nas teorias da conspiração miram o Partido Liberal, atualmente no poder. O alvo favorito é a chefe de saúde pública canadense, Theresa Tam, que nasceu em Hong Kong e tem ascendência chinesa.
Tam teve um papel importante na resposta canadense a doenças como SARS, gripe suína e ebola. Hoje, é considerada a principal conselheira do governo para o Covid-19. Por isso, analisa a revista, tornou-se um inimigo comum identificável para a extrema direita.
O Partido Conservador do Canadá tem aproveitado a onda de teorias conspiratórias preconceituosas para ganhar visibilidade entre a população.
Derek Sloan, membro do parlamento e candidato à liderança do partido, perguntou diante as câmeras se Tam trabalhava para o Canadá ou para a China. Somente após dias de muita pressão popular, o atual líder do partido, Andrew Scheer, condenou as declarações de Sloan como “não apropriadas”.
Desde a vitória de Donald Trump, nos Estados Unidos, políticos da extrema direita no Canadá vem tentando emular seu modus operandi. E, assim como no país vizinho, a proliferação de teorias da conspiração tem atrapalhado o diálogo nacional, aponta a revista.
Em janeiro deste ano, por exemplo, a principal agência de saúde pública do país foi forçada a negar publicamente a teoria de que espiões chineses haviam desenvolvido secretamente o vírus em solo canadense.