Desmotivada, base de Aung San Suu Kyi planeja boicote à eleição em Mianmar

Desesperança resume o sentimento de birmaneses para pleito de 2020; antigos opositores denunciam perseguição
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Os antigos apoiadores da líder oposicionista birmanesa Aung San Suu Kyi planejam um boicote à eleição do próximo domingo (8) em Mianmar, registrou a alemã Deutsche Welle nesta quinta (5).

Com diversas violações de direitos humanos, sobretudo contra grupos minoritários, os eleitores veem o pleito com desconfiança. Também têm se afastado da candidata opositora Aung San Suu Kyi – Nobel da Paz de 1991 e hoje conselheira estadual.

A oposição birmanesa questiona se os generais, que permaneceram no comando do país após a “transição democrática” de 2011 tomarão de novo o poder de Suu Kyi, eleita nas urnas em 2015 e impedida de assumir o cargo.

Sob retrocesso, ex-apoiadores da oposição de Mianmar planejam boicote à eleição
A política e ativista birmanesa Aung San Suu Kyi (centro) é questionada por jornalista em coletiva de imprensa da ONU, no Palácio das Nações, em Genebra, em junho de 2012 (Foto: UN Photo/Violaine Martin)

O boicote à eleição de Mianmar já se transformou em uma campanha que corre o país desde agosto. Os líderes argumentam que nem Aung San Suu Kyi e nem a NLD (Liga Nacional para a Democracia, em inglês) cumpriram as promessas de 2015.

“Decidi não votar desta vez porque o governo não foi capaz de me satisfazer como eleitor e cidadão”, disse o ativista Ye Wai Phyo Aung. Segundo ele, quando a NLD assumiu o controle do país, em 2016, os processos militares contra vozes civis aumentaram.

Estima-se que o exército de Mianmar – também conhecido como Tatmadaw – tenha aberto cerca de 50 processos contra 100 pessoas, a maioria ativistas e artistas. Também há denúncias de execuções extrajudiciais.

Ameaças

Em contrapartida, a Comissão Eleitoral de Mianmar já alertou que processará aqueles que não votarem no pleito estadual e nacional. “Não estão apenas ameaçando a nós, eleitores, mas também ao nosso direito de expressão”, afirmou Ye Wai.

Em uma reunião por teleconferência no dia 5 de agosto, Aung San Suu Kyi caracterizou o boicote como um “ato irresponsável”. Ela concorre novamente à presidência do país.

No dia 16 de outubro, o governo birmanês anunciou que a eleição ão ocorrerá em 56 distritos do país. Com a revolta da população, pelo menos oito cidades ficaram sem acesso à internet e há controle sobre entradas e saídas das regiões em conflito.

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