Ásia e Pacífico

No Uzbequistão, agência reguladora ameaça imprensa independente

Governo prometeu responsabilizar jornais, blogs e cidadãos que levarem à público ‘informações negativas’

As ameaças da AIMC (Agência de Informação e Comunicações de Massa), responsável pela regulação da imprensa do Uzbequistão, colocam em risco a já opaca mídia independente do país.

Em relatórios aos quais a Radio Free Europe teve acesso, o órgão se opõe às informações sobre a escassez de energia e a escalada da pandemia na ex-nação soviética de 33 milhões de habitantes, localizada na Ásia Central.

A imprensa desconfia dos dados lançados pelo governo sobre a situação da Covid-19 no país. Os números oficiais apontam que há 74 mil contágios confirmados e 610 mortes.

Vizinhos como o Cazaquistão e Quirguistão, porém, somam valores maiores enquanto cresce o fluxo contínuo entre os países.

No Uzbequistão, agência reguladora ameaça imprensa independente
O presidente do Uzbequistão, Shavkat Mirziyoev, em pronunciamento na capital, Tashkent, em dezembro de 2020 (Foto: Facebook/Shavkat Mirziyoev)

Segundo a AIMC, os jornais apelam à “negatividade” para fornecer informações “unilaterais”. O diretor do órgão, Asadjon Khodjaev, prometeu que os meios infratores deverão sofrer “sérias consequências jurídicas” se não “refrearem as reportagens”.

Khodjaev afirmou que a AIMC responsabilizará, além de jornais e jornalistas profissionais, também blogs e pessoas com qualquer material “suspeito” nas redes sociais.

A ameaça vai na contramão das promessas do presidente Shavkat Mirziyoev, no poder desde 2016. O político prometeu aliviar as restrições impostas por seu antecessor, Islam Karimov, autocrata que governou o país por 25 anos.

Apesar de pequenos avanços nos últimos quatro anos, a imprensa independente ainda é mantida sob o controle estrito do governo.