Protestos na Tailândia pedem greve geral contra monarquia em outubro

Manifestações exigem mudanças no sistema de governo tailandês e lembram aniversário de massacre em 1976
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Os líderes dos protestos pela reforma na monarquia e no poder do rei Maha Vajiralongkorn, da Tailândia, tentam mobilizar a população para uma greve geral no dia 14 de outubro, informou neste domingo (20) o jornal britânico “The Guardian”.

A data é o aniversário do levante estudantil de 1976, que terminou em massacre. A manifestação da universidade Thammasat, na capital Bangkok, foi brutalmente sufocada pela polícia e custou a vida de ao menos 36 pessoas. Dados não oficiais põem na casa de 100 o número de mortos.

Mesmo após a derrubada de páginas e prisão de ativistas, os protestos ganharam proporção no país. Além das restrições aos poderes monárquicos do rei Maha, os manifestantes – em sua maioria estudantes – também pedem pela saída do primeiro-ministro Prayuth Chan-ocha, acusado de corrupção e perseguição a oposicionistas.

Protestos da Tailândia pedem por greve geral contra monarquia em outubro
Manifestantes fazem o símbolo de resistência representado na trilogia literária “Jogos Vorazes”, em 20 de setembro de 2020 (Foto: Twitter/Wasuzi47)

Na Tailândia, uma norma proíbe a “difamação” contra o rei, com pena de até 15 anos de prisão.

O grupo pede que a população tire o seu dinheiro da instituição financeira Siam Commercial Bank, na qual o rei Maha possui o maior volume de ações.

“Pegue todo o seu dinheiro e queime sua caderneta bancária”, disse um dos líderes, Parit Chiwarak. No domingo (20), milhares saíram às ruas em Bangkok para pedir a restrição às interferências do monarca na democracia do país.

Em frente do palácio real, os líderes tentaram entregar uma carta com todas as demandas para impor freios e contrapesos à monarquia. Bloqueados por centenas de policiais desarmados, os estudantes consideraram uma vitória a entrega do documento ao chefe de Polícia, Phakphong Phongphetra.

No final da tarde, centenas auxiliaram na cimentação de uma placa próxima ao palácio, onde está escrito: “Neste lugar o povo expressou sua vontade. Que este país pertença ao povo e não seja propriedade do monarca, pois ele nos enganou”, registrou a Reuters.

A placa lembra a instalada no fim da monarquia absolutista, em 1932. O artefato, no entanto, foi removido do palácio quando o rei Maha assumiu o poder, em 2017.


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