A Rússia planeja abrir centros de reabilitação para militares que perderam membros na guerra contra a Ucrânia em cada um dos oito distritos federais do país. O anúncio foi divulgado nesta segunda-feira (12) pelo jornal russo Vedomosti, com base em informações da fundação estatal Defensores da Pátria. As informações são do The Moscow Times.
A primeira unidade funciona na Universidade Estatal Social Russa, na região de Moscou, e já atendeu cerca de 650 veteranos. Segundo a vice-ministra da Defesa, Anna Tsivilyova, o programa ensina os participantes a utilizar próteses nas atividades cotidianas. O governo ainda não informou quando os novos centros serão inaugurados.

Os relatos dos participantes, porém, indicam dificuldades no acesso a equipamentos adequados. Um veterano mobilizado em 2022, que perdeu a perna direita na frente de batalha, contou ao Vedomosti que utiliza cordas para prender ao corpo uma prótese quebrada e continuar treinando a caminhada. Segundo ele, os 28 homens que participavam do programa naquele momento haviam perdido uma perna.
A expansão da rede ocorre em meio ao crescimento da demanda por próteses e serviços de reabilitação. Em abril, a vice-primeira-ministra Tatyana Golikova anunciou que o governo pretende criar dez centros de reabilitação protética e ortopédica até o fim de 2028, vinculados à Agência Federal Médico-Biológica. Segundo ela, os recursos já foram previstos no orçamento.
Em março de 2025, Denis Kovlen, especialista em reabilitação médica do Ministério da Defesa, afirmou que o país precisava de mais 25 a 30 centros para atender pessoas que perderam membros em combate. Ele também relatou que o número de veteranos que necessitavam de próteses havia triplicado desde 2022, sem divulgar números absolutos.
O Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS) estimou que, até o início de janeiro de 2025, 376 mil militares russos haviam sofrido ferimentos graves que resultaram em incapacidade. O total de feridos chegava a 611 mil, segundo o instituto.
A necessidade de reabilitação se soma a outros problemas enfrentados por militares que retornam do front. Reportagens anteriores documentaram casos de soldados russos com ferimentos graves e mobilidade reduzida enviados de volta ao combate. A Referência abordou o tema em reportagem sobre o retorno de militares feridos à linha de frente.