Os houthis, grupo armado apoiado pelo Irã e que controla grande parte do norte do Iêmen, voltaram a elevar a tensão no Oriente Médio após reivindicarem ataques contra áreas estratégicas da Arábia Saudita. As ações, registradas nas regiões de Yanbu e Jizan, reacenderam temores sobre a segurança da navegação no Mar Vermelho e levantaram dúvidas sobre a possibilidade de uma nova escalada militar entre as partes. As informações são do The Jerusalem Post.
A crise ganhou força ao longo de julho, período marcado pelo aumento da retórica hostil e por ataques atribuídos aos houthis. O grupo também afirmou ter abatido um drone de fabricação turca utilizado pela Arábia Saudita sobre o território iemenita, reforçando sua capacidade militar e sua disposição de manter a pressão sobre Riad.

O atual impasse está ligado a uma disputa envolvendo voos iranianos para Sanaa, capital controlada pelos houthis. O grupo acusa a Arábia Saudita de restringir o acesso ao aeroporto da cidade e ameaçou retaliar caso o que considera um bloqueio continue. Entre as advertências feitas pelos houthis está a possibilidade de dificultar ou interromper a navegação saudita no Mar Vermelho, uma das rotas marítimas mais importantes do mundo.
A preocupação já alcançou o setor de transporte marítimo internacional. Segundo informações divulgadas pelo Financial Times, grandes seguradoras especializadas em riscos de guerra passaram a restringir ou suspender a cobertura para embarcações com vínculos à Arábia Saudita que operam na região. A medida pode elevar os custos logísticos e criar novos obstáculos para as exportações de petróleo do Golfo.
Histórico do conflito
Os houthis surgiram entre membros da comunidade xiita zaidita do norte do Iêmen e travaram diversos confrontos contra o governo do país durante os anos 2000. Em 2014, o grupo tomou Sanaa, levando à fuga do governo internacionalmente reconhecido.
A resposta veio em 2015, quando a Arábia Saudita liderou uma coalizão militar árabe para apoiar o governo iemenita. O conflito se transformou em uma das guerras mais prolongadas e complexas da região, provocando uma grave crise humanitária e ampliando a influência do Irã sobre os houthis.
Ao longo dos anos, o grupo desenvolveu um arsenal cada vez mais sofisticado de drones e mísseis balísticos, utilizados para atingir alvos militares, instalações energéticas e infraestrutura estratégica saudita.
O impacto da guerra entre Israel e Hamas
A guerra iniciada após o ataque do Hamas contra Israel em outubro de 2023 alterou o cenário regional. Os houthis declararam apoio ao Hamas e passaram a lançar drones e mísseis contra Israel, além de atacar embarcações comerciais no Mar Vermelho.
Segundo o grupo, as ações tinham como objetivo pressionar Israel e demonstrar solidariedade à Faixa de Gaza. Os ataques afetaram o tráfego marítimo internacional e levaram diversas empresas a modificar rotas comerciais, aumentando custos e tempo de transporte.
Embora um cessar-fogo apoiado pelos Estados Unidos em outubro de 2025 tenha reduzido os ataques marítimos, a recente escalada com a Arábia Saudita demonstra que as tensões permanecem longe de uma solução definitiva.
Risco para o comércio global
O Mar Vermelho é uma das principais rotas comerciais do planeta, conectando a Ásia à Europa por meio do Canal de Suez. Qualquer ameaça à navegação na região tem potencial para afetar cadeias globais de suprimentos, preços do petróleo e custos de transporte marítimo.
Analistas avaliam que uma eventual retomada dos ataques contra navios comerciais ou infraestrutura energética saudita poderia gerar novos impactos econômicos internacionais. Ao mesmo tempo, uma possível redução das tensões entre Estados Unidos e Irã é vista como um fator que pode contribuir para diminuir a pressão sobre o conflito iemenita.