China e Belarus fortalecem cooperação militar com exercícios na fronteira polonesa

Os dois países, importantes aliados da Rússia, alegam estar reagindo à "política externa agressiva" dos países ocidentais

China e Belarus iniciaram manobras militares conjuntas perto da cidade belarussa de Brest, a apenas cinco quilômetros da fronteira com a Polônia. Chamados de “Eagle Assault“, os exercícios se concentram em resgates de reféns e operações antiterroristas conjuntas, de acordo com o jornal South China Morning Post.

No sábado (6), o Ministério da Defesa de Belarus informou que tropas chinesas chegaram ao país para participar de exercícios militares que ocorrerão de 8 a 19 de julho. É a primeira vez que Beijing envia pessoal militar para o país do leste europeu para treinamento conjunto. O último exercício conjunto conhecido entre os dois países foi em 2018, realizado na província de Shandong, leste da China.

Durante as manobras, as forças armadas de ambos os países irão praticar operações noturnas, superar obstáculos aquáticos e realizar operações em áreas urbanas. As atividades acontecem pouco antes da cúpula da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), de 9 a 11 de julho em Washington, que discutirá temas como assistência à Ucrânia, produção de defesa e metas orçamentárias de defesa.

Emblema nacional da República Popular da China na Praça da Paz Celestial (Foto: WikiCommons)

Na sexta-feira (5), Vladimir Kupriyanyuk, vice-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas de Belarus, afirmou que os exercícios são uma resposta à “política externa agressiva do Ocidente em relação a Minsk” e às “provocações da Ucrânia”.

Tanto a China quanto Belarus participaram do exercício militar multilateral Vostok, organizado pela Rússia em agosto de 2022, seis meses após a invasão da Ucrânia. No ano passado, Minsk e Beijing concordaram em realizar mais exercícios conjuntos após uma reunião entre Li Shangfu, então chefe da Defesa da China, e o presidente belarusso Alexander Lukashenko.

Após a adesão de Belarus como o décimo membro pleno da Organização para a Cooperação de Xangai (OCX) na última quinta-feira (4), o exercício militar ocorre como parte dessa iniciativa de segurança regional, apoiada por China e Rússia, que é vista como uma alternativa aos grupos liderados pelo Ocidente. Irã, Paquistão e Índia também são membros.

Na semana passada, o ministro da Defesa polonês Władysław Kosiniak-Kamysz anunciou que a Polônia e a Lituânia abordarão a questão da segurança de fronteira durante a cúpula da Otan. Kosiniak-Kamysz destacou que há uma guerra híbrida em curso nas fronteiras da Polônia com Belarus, bem como nas fronteiras da Letônia, Lituânia e Estônia.

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