Governo dos EUA calcula que dez mil soldados russos morreram na guerra na Ucrânia

Victoria Nuland, Subsecretária de Estado dos EUA, diz que tropas russas estão sofrendo perdas "incríveis" no conflito
Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no email

O governo dos EUA calcula que cerca de dez mil soldados da Rússia morreram em função da guerra na Ucrânia, iniciada com a invasão do país por tropas russas em 24 de fevereiro. Os números foram citados na terça-feira (29) por Victoria Nuland, Subsecretária de Estado, segundo a rede Radio Free Europe.

“Eles estão tendo perdas incríveis do lado russo. Você sabe, pelas nossas estimativas, são mais de dez mil russos mortos”, disse Nuland. “Acho que, infelizmente, os russos ainda não aprenderam completamente o quão duros são os militares ucranianos”.

Victoria Nuland, Subsecretária de Estado dos EUA (Foto: Flickr)

A estimativa de Washington surge como um meio termo entre os números citados por russos e ucranianos. Moscou apresentou somente dois levantamentos de baixas militares. No mais recente, de 25 de março, falou em 1.351 soldados mortos. Kiev, por sua vez, diz que cerca de 17 mil russos morreram.

São esse dados que a Subsecretária de Estado diz justificarem a decisão anunciada pela Rússia na quarta (29) de reposicionar suas tropas mais distantes de Kiev, informação confirmada pelo vice-ministro da Defesa russo Aleksandr Fomin. Nuland classificou o anúncio como “um resultado direto da resistência feroz que os ucranianos levantaram fora de Kiev e seus subúrbios e em Chernihiv”.

Entretanto, ela diz que a decisão não significa que o fim da guerra está mais próximo. “Sabemos que este é apenas um reposicionamento das forças russas e que eles estarão de volta em outras partes da Ucrânia e que continuam a atacar Mariupol e Kherson e outras partes do país”, disse.

Nuland falou, ainda, sobre a possibilidade de um acordo para encerrar a guerra, o que, segundo ela, está muito distante. “Até que haja um verdadeiro cessar-fogo, não acho que teremos conversas sérias. Mas veremos”, disse ela. “As resoluções diplomáticas para conflitos geralmente devem vir após um cessar-fogo acordado, não no meio da luta”.

Questionada sobre as sanções impostas pelo Ocidente à Rússia, a diplomata afirmou que novas punições tendem a ser impostas conforme a guerra se desenrolar. Por outro lado, admitiu que o quadro pode até ser revertido caso o conflito seja solucionado de forma satisfatória.

“Se tivéssemos um acordo negociado para este conflito, que tirasse as forças russas da Ucrânia, que protegesse a soberania e a integridade territorial da Ucrânia no futuro, que garantisse a reconstrução da Ucrânia, então as sanções poderiam ser revertidas”, disse Nuland.

Os mortos de Putin

Em 1991, Vladimir Putin deixava de ser um espião da KGB, o serviço secreto russo que chegara ao fim com o colapso da União Soviética, em dezembro daquele ano. A partir dali, a ascensão do ex-agente secreto foi rápida como um míssil hipersônico. No final daquela década, ele já figurava no primeiro escalão político do país, ostentando os poderes de primeiro-ministro durante o governo Boris Yeltsin.

Em dezembro de 1999, Yeltsin renunciou, e Putin assumiu como presidente interino. Um importante conflito em curso naquela época foi marcado pelo pulso firme do novo mandatário, característica que logo chamou a atenção da opinião pública, que enxergou naquela figura um líder disposto a recolocar sob as ordens de Moscou os rebeldes chechenos. A reedição da guerra da Chechênia foi uma ação interpretada por muitos como um ressurgimento do poderio do Estado russo.

De lá para cá, o chefe do Kremlin consolidou o poder e fortaleceu o papel da Rússia no cenário mundial, meta atingida à base de violência e autoritarismo. Isso inclui perseguição a opositores políticos. Inclusive com suspeitas de envenenamento, censura e repressão à imprensa e a ativistas contrários ao regime. Além de mortes, muitas mortes. Nessa conta entram a guerra devastadora na região do Cáucaso, ações fatais de suas forças especiais que resultaram em baixas civis, a queda suspeita de um avião comercial e, em 2022, uma invasão à Ucrânia que colocou o mundo em alerta.

A Referência organizou alguns dos principais incidentes nos quais o líder russo esteve envolvido diretamente ou é forte suspeito de participação, todos ocorridos nas mais de duas décadas desde que foi elevado ao posto de autocrata. São dezenas de milhares de pessoas que perderam a vida em função de ações associadas a Putin, um número que aumentará bastante ao longo da guerra que ele provocou na Ucrânia. Relembre os casos.

Tags: