Emirados Árabes negam liberação de até US$ 20 bilhões em fundos para o Irã

Abu Dhabi classificou como falsas as informações divulgadas por agências internacionais sobre um suposto acordo para desbloquear recursos iranianos em troca da suspensão de ataques

Os Emirados Árabes Unidos negaram neste sábado (13) as informações de que teriam concordado em liberar até US$ 20 bilhões em ativos congelados ligados ao Irã. Em comunicado enviado à imprensa internacional, o governo afirmou que as alegações são “totalmente falsas e infundadas”. As informações são da CNBC.

A manifestação ocorreu após uma reportagem da agência Reuters informar, com base em fontes não identificadas, que os Emirados teriam aceitado desbloquear bilhões de dólares em recursos iranianos como parte de uma estratégia para reduzir ataques promovidos por Teerã contra alvos na região do Golfo.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos, nenhum valor pertencente ao Irã foi liberado, transferido ou movimentado por meio do sistema financeiro do país.

“O Ministério das Relações Exteriores afirma que essas alegações são totalmente falsas e infundadas”, declarou o governo emiradense.

Abu Dhabi (Foto: WikiCommons)
Relatório citava acordo bilionário

A reportagem da Reuters citava quatro fontes com suposto conhecimento das negociações. Duas delas afirmaram que os Emirados teriam concordado em liberar cerca de US$ 10 bilhões, enquanto outras duas estimaram que o valor total poderia chegar a US$ 20 bilhões.

Ainda de acordo com as fontes, uma primeira parcela superior a US$ 3 bilhões já teria sido disponibilizada ao Irã. O objetivo seria obter uma redução dos ataques iranianos contra infraestrutura e instalações estratégicas emiradenses.

A agência informou, entretanto, que não conseguiu confirmar a origem dos recursos nem verificar se os valores estariam vinculados a contas iranianas congeladas no sistema bancário dos Emirados ou a outros ativos mantidos no exterior.

Dubai sob pressão internacional

Especialistas apontam que Dubai desempenha há anos um papel relevante nas relações econômicas entre o Irã e o restante do mundo. Segundo análises do Atlantic Council, empresas e indivíduos iranianos utilizam a estrutura financeira do emirado para realizar operações comerciais e contornar restrições impostas por sanções internacionais.

Além disso, autoridades americanas vêm aumentando a pressão sobre os Emirados Árabes Unidos para reforçar o controle sobre empresas de fachada e redes financeiras suspeitas de facilitar transações ligadas ao Irã.

Nos últimos anos, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos aplicou sanções contra diversas entidades sediadas nos Emirados por supostas violações das restrições econômicas impostas a Teerã.

Tensão regional permanece elevada

A negativa do governo emiradense ocorre em meio ao aumento das tensões no Oriente Médio. A região continua enfrentando instabilidade geopolítica, com episódios de ataques envolvendo países do Golfo e forças apoiadas pelo Irã.

Analistas avaliam que qualquer movimentação financeira envolvendo ativos iranianos congelados tem potencial para gerar repercussões diplomáticas significativas, especialmente nas relações entre os países do Golfo, os Estados Unidos e o governo iraniano.

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