Europa

Justiça de Belarus amplia prisão domiciliar de namorada de jornalista detido após voo

Sofia Sapega cumpre pena similar à do namorado Roman Protasevich, que foi denunciado por se opor ao regime de Alexander Lukashenko

A Justiça de Belarus ampliou até o dia 25 de dezembro a prisão domiciliar preventiva da cidadão russa Sofia Sapega, namorada do jornalista belarusso Roman Protasevich, que cumpre pena similar por se opor ao regime de Alexander Lukashenko. As informações partiram da mãe dela, em entrevista concedida à rede alemã Deutsch Welle publicada no aplicativo russo Telegram.

“Sofia é uma lutadora, ela suporta tudo isso com bastante firmeza. Ele trata tudo isso filosoficamente, com a esperança de que no futuro tudo dê certo”, disse a mãe da jovem, que admite a possibilidade de a filha pedir perdão a fim de que seja libertada. “Acredito que esta oportunidade deve ser aproveitada se der algum resultado”.

Protasevich na entrevista em que “confessou crimes” pelos protestos contrários a Lukashenko, junho de 2021 (Foto: Reprodução/Youtube/ONT)

Sapega e Protasevich estavam em um voo que foi forçado a pousar em Belarus sob a escolta de jatos da força aérea belarussa, numa ação internacionalmente classificada como “sequestro Estatal”. O episódio ocorreu no dia 23 de maio, e inicialmente ambos foram detidos. Posteriormente, eles foram colocados em prisão domiciliar enquanto aguardam o julgamento.

Protasevich é acusado de liderar manifestações contrárias a Lukashenko e que contestaram o resultado da eleição presidencial de 2020, da qual o presidente saiu vitorioso. A TV estatal belarussa chegou a publicar um vídeo no qual o jornalista “confessa seus crimes” e pede perdão, que a opinião pública internacional diz ter sido obtido sob coação.

As acusações contra a namorada dele não estão claras, e a expectativa é de que seja libertada e enviada de volta à Rússia desde que peça perdão. As autoridades belarussas chegaram a publicar um vídeo no qual ela diz que é editora de um canal no telegram chamado Black Book of Belarus, que o governo classificou como “extremista”.

Por que isso importa?

Milhares de opositores ao regime de Lukashenko foram presos ou forçados ao exílio desde as controversas eleições no ano passado. O presidente, chamado de “último ditador da Europa”, está no poder desde 1994.

Mas a imagem autoritária não parece incomodar Lukashenko, mesmo em meio a protestos violentos e desconfiança crescente após a sexta reeleição em 2020, pleito com fortes indícios de fraude. A porta-voz do presidente, Natalya Eismont, chegou a afirmar em 2019, na televisão estatal, que a “ditadura é a marca” do governo de Belarus.

De lá para cá, as autoridades do país têm sufocado ONGs e a mídia independente como parte de uma repressão brutal contra cidadãos que contestam os resultados oficiais do pleito.