Europa

ONU: Especialistas condenam falha da Itália no resgate de 200 migrantes

Embarcação com mais de 400 migrantes afundou no Mediterrâneo após ataques de extremistas, em 2013

Este conteúdo foi publicado originalmente na agência ONU News, da Organização das Nações Unidas

A Itália falhou no socorro de 200 migrantes que perderam a vida tentando entrar na Europa pelo Mar Mediterrâneo. O grupo estava numa embarcação que afundou a 113km ao sul da ilha italiana de Lampedusa, em 2013.

Em comunicado, a Comissão de Direitos Humanos da ONU concluiu que a Itália deixou de responder a vários pedidos da embarcação, em perigo, transportando mais de 400 adultos e crianças.

Conforme os especialistas, o país europeu falhou em justificar o atraso para despachar um navio da Marinha Italiana, ITS Libra, que se encontrava a uma hora do local do acidente.

ONU: Especialistas condenam falha da Itália em resgatar 200 migrantes
Imigrantes aguardam socorro de embarcação em meio ao Mar Mediterrâneo, em 2019 (Foto: Frontex/Francesco Malavolta)

Três cidadãos sírios e um palestino que sobreviveram ao naufrágio e perderam familiares levaram o caso à Comissão da ONU. Eles chegaram em 10 de outubro ao porto pesqueiro Zuwarah, na Líbia, e se juntaram a um grande grupo de pessoas, a maioria sírios, que tentavam fugir do conflito na Síria.

O barco de pesca saiu do local no início da madrugada e poucas horas depois foi alvejado a tiros por uma embarcação sob a uma bandeira berbere, já em águas internacionais.

Itália atrasou envio de socorro

O naufrágio ocorreu a 113km ao sul da Ilha de Lampedusa, na Itália, e a 218km ao sul de Malta. Um dos passageiros ligou para a emergência marítima italiana dizendo que a embarcação estava afundando e enviou a localização do barco, diz a nota.

Ele relata ter ligado várias vezes durantes várias horas. Somente às 13h as autoridades italianas informaram-o que haviam repassado o pedido de resgate para o Grupo de Salvamento de Malta.

A partir daí, os migrantes telefonaram para as Forças Armadas e a defesa civil de Malta até às 15h. Quando um navio maltês chegou à área, às 17h, o barco já havia afundado.

ONU: Especialistas condenam falha da Itália em resgatar 200 migrantes
Migrantes resgatados pela Guarda Costeira da Líbia em 2008 (Foto: UN Photo/IOM)

O navio italiano só chegou horas depois de ter recebido um pedido de reforço de Malta. Por conta do atraso, mais de 200 pessoas incluindo 60 crianças morreram afogadas, confirmou a Comissão de Direitos Humanos da ONU.

Um dos membros da Comissão, Hélène Tigroudja, reconheceu a complexidade do caso. O acidente ocorreu em águas internacionais dentro da zona de busca e resgate de Malta, mas o local era mais perto da Itália e dos navios da Marinha Italiana. Assim, a Itália poderia ter chegado a tempo de socorrer os migrantes do naufrágio.

Investigação

Pela lei internacional do mar, os países têm o dever de proteger os indivíduos em perigo mesmo que a embarcação não esteja na jurisdição do país.

A Comissão da ONU instou a Itália a realizar uma investigação independente e responsabilizar os culpados além de reparar as famílias que perderam seus parentes.

O órgão já rejeitou uma queixa semelhante contra Malta por falta de documentos nos tribunais do país. A Comissão de Direitos Humanos da ONU só acata casos esgotados em tribunais nacionais.