Europa

Ucrânia contesta acusações e insta Rússia a libertar jornalista detido na Crimeia

Yesypenko foi Inicialmente acusado de espionagem para a Ucrânia. Agora, responde por porte e transporte de explosivo

A Ucrânia, através do seu Ministério das Relações Exteriores, instou a Rússia a abandonar as acusações e libertar o jornalista Vladyslav Yesypenko, da Radio Free Europe (RFE). Ele foi detido em março na região da Crimeia, será julgado e pode pegar até 18 anos de prisão. As informações são do site UkrInform

Um comunicado emitido pelo ministério chama as acusações de “totalmente infundadas” e prossegue: “Consideramos o julgamento fraudulento de Vladyslav Yesypenko uma continuação das represálias da Federação Russa contra aqueles que discordam da ocupação temporária da península da Crimeia e da supressão sistemática da liberdade de expressão”.

O jornalista Vladislav Yesypenko no momento de sua ‘confissão’ televisionada, em 18 de março de 2021 (Foto: Reprodução/Krim24)

Yesypenko, que é cidadão russo-ucraniano, foi detido pela FSB (Agência de Segurança Federal, da sigla em inglês). Inicialmente, ele foi acusado de espionagem em favor do governo ucraniano, que reivindica a península da Crimeia como seu território. Agora, as acusações de espionagem sumiram, e ele responde por porte e transporte de explosivo.

Em abril, num depoimento a portas fechadas, o jornalista alegou que foi torturado com choques elétricos, espancado e ameaçado de morte, a menos que “confessasse” a espionagem em nome da Ucrânia, segundo o advogado dele. A acusação de espionagem, porém, jamais foi citada no indiciamento.

“Vladyslav Yesypenko é culpado de nada mais do que ser jornalista. Ele estava tentando compartilhar a verdade sobre a situação na Crimeia com o mundo exterior antes de enfrentar detenção e aparente tortura nas mãos de seus captores baseados na Rússia”, disse Jamie Fly, presidente da RFE.

Território ocupado

Em março de 2014, forças russas forçaram as autoridades locais a realizarem um referendo sobre a “reunificação” da Crimeia com a Rússia. O referendo, porém, foi considerado ilegal pela ONU (Organização das Nações Unidas), e a península é hoje considerada pela comunidade internacional um território ucraniano sob ocupação russa.