Europa

Ucrânia contesta votação ‘ilegal’ em zonas ocupadas e diz que eleição russa é ‘nula’

Kiev cita processo de votação organizado pelo governo da Rússia na Crimeia e nas regiões ucranianas separatistas de Donetsk e Luhansk

A Ucrânia classificou como “ilegal” o processo de votação organizado pelo governo da Rússia na Crimeia e nas regiões separatistas de Donetsk e Luhansk, no leste ucraniano. Cidadãos locais foram autorizados a votar na eleição  parlamentar que ocorreu entre sexta-feira (17) e domingo (19), o que levou Kiev a classificar o resultado como “nulo”.

O Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia se manifestou em comunicado divulgado ainda no primeiro dia de votação, na última sexta. E destacou os casos casos de “cidadãos ucranianos com passaportes russos emitidos ilegalmente” que foram obrigados a “participar nas eleições nos territórios temporariamente ocupados“.

“A realização de eleições pela Federação Russa nos territórios temporariamente ocupados da República Autônoma da Crimeia e da cidade de Sebastopol é ilegal, e seus resultados serão nulos e sem efeito”, diz o texto.

Segundo Kiev, a participação de “cidadãos ucranianos” no pleito russo, bem como de “1,5 milhão eleitores que vivem atualmente na Crimeia temporariamente ocupada, distorcerá significativamente os resultados das eleições para a Duma Estatal da Federação Russa e convocará questionar sua legitimidade como um todo”.

Cidadão russa deposita seu voto na runa durante eleições de 2016 (Foto: Wikimedia Commons)

Por que isso importa?

Durante a corrida eleitoral, o Kremlin impôs uma forte repressão contra figuras políticas da oposição e a mídia independente, em meio a um processo de perda de popularidade do partido governista Rússia Unida e de Putin. A ação, somada às denúncias de irregularidades durante o processo de votação, têm levado opositores e instituições diversas a contestarem a eleição.

O governo chegou a obrigar Apple e Google a retirarem de suas lojas virtuais um aplicativo criado por aliados do opositor Alexei Navalny, sob risco de aplicação de uma multa às duas big techs. O opositor defendia uma estratégia de “votação inteligente”, que consistia em incentivar seus seguidores a apoiarem o candidato com melhor chance de derrotar o Rússia Unida em suas regiões.

Ao longo da votação de três dias, milhares de violações individuais foram relatadas, enquanto as redes sociais foram inundadas com vídeos incriminadores das seções eleitorais, retratando de tudo, desde cédulas a mais nas urnas até a intimidação física de observadores eleitorais. Em vários casos, resultados suspeitosamente atrasados ​​da votação eletrônica parecem ter ajudado a garantir a vitória de agonizantes candidatos da situação.

Com a divulgação dos resultados, que deram vitória ao partido governista Rússia Unida, a segunda sigla mais votada, o Partido Comunista russo, alega fraude e afirma que não reconhecerá os resultados da votação eletrônica, que teriam revertido de maneira suspeita a liderança até então sustentada pelos aspirantes comunistas aos cargos públicos.