Chefe da ONU se despede de ‘ano difícil’ e diz temer que 2022 seja ainda pior

António Guterres cita pandemia, inflação galopante, dívida externa e crise climática como problemas que podem aumentar no ano que vem
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O secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), António Guterres fez um balanço do ano que está chegando ao fim e afirmou, na quinta-feira (16), que 2021 foi muito difícil, com a continuação da pandemia de Covid-19 e outros problemas que afligem o mundo. Ele citou as novas variantes do coronavírus, o fardo cada vez mais pesado sobre países em desenvolvimento, a falta de recursos para a recuperação da pandemia, a inflação galopante e o aumento da dívida externa de muitas nações.

O chefe das Nações Unidas disse que, para jogar lenha na fogueira, o mundo continua fora dos trilhos na resposta à crise climática, que é um outro amplificador de desigualdade e injustiça globais, bem como um dos temas que mais têm sido abordados por Guterres.

Segundo o português, se não houver uma rápida melhora desse quadro, o mundo verá dias piores em 2022, considerando que a Covid-19 não vai acabar e e que somente a vacinação não deve erradicar a pandemia.

O secretário-geral destacou que as vacinas estão evitando internações e mortes, mas a transmissão permanece a todo vapor. Para ele, a falta de vacinas e a complacência são as causas da crise de saúde.

Secretário-geral da ONU, o português António Guterres (Foto: UN Photo/Evan Schneider)

A Vacinação e a África

Na quinta-feira (16), a ONU divulgou uma atualização do plano de resposta à Covid-19, que inclui todo o sistema da organização. A proposta inicial era imunizar 40% da população global até o fim deste ano e 70% até meados de 2022. Mas, a apenas alguns dias do prazo, 98 países ainda não conseguiram alcançar a meta. E 40 nações sequer vacinaram 10% de sua população.

Em países de renda baixa, menos de 4% dos cidadãos receberam as duas doses contra a Covid. Já em países de alta renda, as taxas de vacina são oito vezes maiores que na África. E, no ritmo atual, o continente perderá o prazo de vacinação de 70% de seus cidadãos até 2024.

Guterres afirma que não se pode derrotar uma pandemia de forma descoordenada e pede ações coordenadas dos países nos próximos dias.

Economia

Ao falar dos efeitos da pandemia sobre a economia, ele disse que as economias avançadas mobilizaram 28% do Produto Interno Bruto (PIB) para a recuperação econômica, enquanto nos países de renda média esta taxa é de 6,5%, contra 1,8% nos de renda baixa.

Nos Estados Unidos, a inflação chegou ao patamar mais alto dos últimos 40 anos e continua crescendo. O Banco Central Americano, Federal Reserve, já avisou que elevará a taxa de juros, e isso colocará ainda mais pressão sobre os países.

Guterres aposta em inadimplências para países mais pobres que não terão como honrar seus empréstimos, uma consequência do sistema financeiro atual que leva à desigualdade e a injustiça, segundo ele.

O chefe das Nações Unidas citou protestos e polarizações na sociedade e o risco desse cenário persistir com instabilidade e como risco para a democracia. Afirmou, ainda, que o mundo tem um problema real de governança com a prevenção e resposta a pandemias e com o sistema financeiro internacional.

O secretário-geral afirma que 2022 tem que ser um ano melhor, mas para isso deve haver um esforço de todos.

Conteúdo adaptado do material publicado originalmente pela ONU News

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