Na Tailândia, manifestantes exigem reforma na monarquia

Conflito entre elite ligada ao Palácio e população se estende desde o fim do absolutismo, em 1932, afirmam analistas
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Em Bangkok, na Tailândia, cerca de 200 manifestantes exigiram reformas na monarquia do rei Maha Vajiralongkorn, nesta segunda-feira (3). O país vive sua maior retração econômica desde a crise de 1997 e forte concentração de renda.

De acordo com a Al-Jazeera, os protestos foram realizados por estudantes vestidos de personagens fictícios. Entre eles, havia personagens da saga “Harry Potter”, que seria uma referência ao combate de injustiças do governo militar.

Um dos manifestantes, o advogado Anon Nampa, afirmou que a crescente apropriação de poderes do monarca está colocando a democracia do país em risco.

Os altos índices de desigualdade da Tailândia também têm motivado manifestantes a irem às ruas pedir uma nova Constituição – a última foi elaborada em 2017.

Na Tailândia, manifestantes exigem reforma na monarquia do rei Maha
Imagem do Rei Maha está exposta em diversos locais de Bangkok (Foto: Michael Swan/Flickr)

Analistas do instituto International Crisis Group, que investiga raízes de conflitos em todo o mundo, coloca o fim da monarquia absolutista tailandesa, em 1932, como marco-zero do impasse institucional no país.

Desde então, a Tailândia já teve 20 Constituições. “É um esforço de Sísifo para conservar um sistema que acalma as massas enquanto preserva as prerrogativas de uma pequena e autodenominada elite cujo poder está calcado em sua proximidade e lealdade ao Palácio.”

O capítulo mais recente desse conflito tailandês começou com o golpe militar de 2005. Mas a elite continua tomada por membros do Exército, do Palácio real e da burocracia da capital Bangkok.

“O que está em jogo é se a autoridade política deve derivar da soberania popular ou de uma hierarquia tradicional que chama para si um direito moral de governar”, diz o relatório.

Sob nova direção

Após assumir o trono em 2016, uma nova Constituição garantiu maiores poderes de emergência ao monarca. Desde então, o rei Maha assumiu o controle pessoal de algumas unidades do exército e bens do palácio.

Ativistas tailandeses reclamam do assédio das autoridades e afirmam que nove líderes da oposição desapareceram, dos quais dois foram encontrados mortos.

A “difamação” à monarquia é punível com até 15 anos de prisão na Tailândia. Derrubar esta lei é mais uma das reivindicações dos estudantes, que fazem protestos quase que diários no país.

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