Após moratória, Líbano procura na China recursos para sair da crise

Investidores ocidentais evitam países em default e sem composição com FMI; chineses emprestam, mas pedem garantias
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Em meio a uma crise econômica que já desvalorizou a moeda local em 80% desde outubro de 2019, inflação em disparada e endividamento externo que levou à moratória, o Líbano tem procurado na China os recursos que precisa para se recompor.

Beijing teria acenado com empréstimos mesmo sem um acordo com o FMI (Fundo Monetário Internacional), o que aliviaria a situação de curto prazo do país, de acordo com a Associated Press.

Economistas consultados pela agência indicam a possibilidade de US$ 12,5 bilhões em financiamento vindo da China.

Após moratória, Líbano procura na China recursos para sair da crise
Protestos em Beirute, na capital do Líbano, em 2019 (Foto: Wikimedia Commons)

Em moratória técnica desde o início do ano, o Líbano tenta negociar uma linha de recursos com o Fundo que pode chegar a US$ 11 bilhões. Já foram feitas 17 rodadas de conversas, sem sucesso.

Mas, sem composição com o FMI, a maioria dos emprestadores ocidentais não faz negócio.

Ocidente versus Hezbollah

Beirute ainda enfrenta um mau momento de suas relações com o Ocidente graças às sanções impostas ao Hezbollah e classificadas pelo grupo com um “cerco financeiro” contra o país. A organização é considerada terrorista pela maioria dos países do Golfo e pelos EUA.

O premiê Hassan Diab teria se queixado desse suposto emparedamento em reunião ministerial no último dia 2. “Há uma grande decisão de cercar o país. Estão bloqueando toda a ajuda para o Líbano”, afirmou, segundo a AP.

Os EUA negam envolvimento. Na avaliação da embaixadora em Beirute Dorothy Shea, desde a moratória, “os investidores não estão fazendo fila” para aportar dinheiro novo no país.

A embaixadora advertiu que o capital chinês pode vir às custas “da prosperidade, estabilidade ou viabilidade fiscal e, claro, das longas relações com os EUA”.

Os empréstimos feitos por fontes oficiais chinesas, por exemplo, não são regulados pelos entendimentos do Clube de Paris, consórcio de credores estatais do Ocidente que inclui EUA, Reino Unido e Rússia.

Vários desses empréstimos chineses exigem ativos físicos ou parcela das exportações como colateral em caso de não pagamento. É o que mostram artigos como o da economista Carmen Reinhart, da Universidade Harvard (EUA), e outros.

Historicamente, o Líbano goza de boa relação com os países ocidentais. A nação, de cinco milhões de habitantes, é considerada estratégica do ponto de vista geopolítico. Também sedia a Universidade Americana, bastião liberal de ensino e pesquisa no Oriente Médio.

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