Crise leva libaneses a grupos de escambo de produtos nas redes sociais

Vivendo o pior momento do país desde o fim da guerra civil, em 1990, duas em cada três famílias perderam renda
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Com uma crise econômica que varre o Líbano, a pior desde o fim da guerra civil em 1990, a população vem recorrendo a grupos de escambo nas redes sociais para trocar produtos que sobram em casa por aquilo que falta.

No Facebook, o grupo “Permutas do Líbano” tem permitido que as pessoas troquem mantimentos por roupas ou equipamentos para ginástica. A informação é da agência de notícias Reuters.

O novo coronavírus leva parte da culpa, mas o Líbano está endividado e desde o início do ano em moratória técnica. O país viu neste a desvalorização em quase 80% de sua moeda. Na sequência, veio a falta ou encarecimento de produtos essenciais no país, dependente de importações.

Libaneses aderem a escambo nas redes para garantir itens básicos
Protestos em Beirute, na capital do Líbano, em 2019 (Foto: Wikimedia Commons)

Um estudo do Programa Mundial de Alimentos da ONU (Organização das Nações Unidas) de junho deste ano mostra que duas em cada três famílias libanesas perdeu parte significativa da renda no último ano.

A crise é a principal responsável pela proliferação dos grupos de escambo nas redes sociais dos libaneses.

Desemprego e preços altos

As mulheres parecem ser as maiores castigadas pela crise. Entre elas, 61% perdeu o emprego, ante 46% dos homens. Metade da população teve medo de não conseguir tudo que precisa para se alimentar no mês de maio.

A situação é ainda mais grave para os refugiados. Entre os palestinos, 44% relata não conseguir estocar comida. Entre os sírios, o percentual é de 64%. A principal queixa é o preço dos alimentos.

A carne, consumida nas três refeições do dia pela população, tornou-se artigo de luxo. O jornal norte-americano “Los Angeles Times” calcula que o preço do quilo tenha subido de US$ 9, antes da crise, para US$ 43 – isso considerando o câmbio oficial.

O resgate de US$ 10 bilhões que o governo tentava pedir ao FMI (Fundo Monetário Internacional) não deve chegar tão cedo. O país perdeu no último mês dois de seus negociadores principais e não chega a acordo para atender as exigências do Fundo, comuns sempre que é realizado um empréstimo de emergência.

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